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A neve que caiu sobre Curitiba em 1975

  • Por Cintia Végas, Estadão Conteúdo

A neve que caiu sobre Curitiba, no inverno do ano de 1975, deixou os moradores da cidade encantados. Porém, o fenômeno meteorológico gerou um efeito catastrófico sobre os cafezais de todo Paraná. Devido a uma forte geada percebida no interior do Estado, todos os pés de café foram destruídos, o que resultou, nos anos seguintes, em um grande êxodo populacional.

O episódio ficou conhecido como Geada negra e, agora, é retratado em documentário que leva este nome, dirigido pelo jornalista Adriano Justino. A obra -viabilizada através do Prêmio de Cinema e Vídeo do Estado do Paraná em 2008, na categoria Telefilme – terá sua primeira exibição na próxima segunda-feira, no auditório do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba.

“Enquanto as pessoas se divertiam com a neve em Curitiba, a geada estava destruindo os cafezais no interior. A geada negra, como o próprio nome diz, foi uma geada escura e que queimou totalmente os pés de café plantados na época, gerando um grande desespero entre quem trabalhava nos cafezais. Foi um período terrível, em que as pessoas simplesmente não sabiam o que fazer. No documentário, busco mostrar os desdobramentos da geada”, diz Adriano.

O engenheiro agrônomo do Ministério da Agricultura, Francisco Barbosa Lima, que em 1975 trabalhava fornecendo assistência técnica aos produtores de café do Norte Pioneiro, contribuiu com o filme através de relatos de lembranças do que aconteceu na época. Segundo ele, foi realmente um período bastante crítico, onde muitas pessoas passaram por uma reviravolta em suas vidas.

“O que aconteceu em 1975 afetou a produção de café do Paraná por vários anos. Tanto que muitos produtores abandonaram o café para se dedicar ao plantio de soja, trigo e milho”, conta. “Em 1975, o Paraná tinha cerca de um milhão de hectares destinados aos cafezais. Após a geada, a área foi reduzida para menos de 700 mil hectares. Muita gente em atividade nos cafezais ficou desempregada e acabou indo para as cidades, sem qualquer tipo de qualificação para trabalhar”.

Para que o filme pudesse ser realizado, foram consultados os acervos de 21 museus, bibliotecas, televisões, cinematecas, institutos e arquivos paranaenses. Além disso, foram feitas pesquisas em dezessete jornais do Paraná e de São Paulo. De todo trabalho, foram recuperadas imagens raras em 16 mm (formato utilizado pelas tevês na década de 1970) da TV Coroados, Canal 9, TV Tibagi e do arquivo do Palácio Iguaçu.

Geada negra, com 52 minutos de duração, também mostra diversas fotos do acervo do fotógrafo João Urban e do técnico de café e fotógrafo Armínio Kaiser, que registrou o trabalho agrícola na região Norte entre as décadas de quarenta e setenta. Entre os depoimentos mostrados, está o do ex-governador Jayme Canet Jr., que era cafeicultor no município de Bela Vista do Paraíso e também perdeu tudo com a geada.

“O filme começa com a imagem de uma caminhada do então governador Jayme Canet Jr., que estava chegando a um cafezal de Londrina após a geada. A imagem estava em rolo de 16 mm e foi resgatada”, revela Adriano. “Já o depoimento do ex-governador, dado em entrevista, é bastante emocionante. Nele, conseguimos enxergar o homem por trás do governador”.

Serviço

Lançamento do documentário Geada negra.
Amanhã, às 20h, no auditório do Museu Oscar Niemeyer (MON). Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico.
Entrada franca. Informações: (41) 3013-4163 ou www.geadanegra.com.

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