Billy Wilder foi um cineasta perspicaz – por meio do humor (ele dirigiu comédias clássicas como “Quanto Mais Quente Melhor”), revelou o ridículo do ser humano. E, quando tratava um assunto a sério, também era implacável. É o que se nota em “A Montanha dos Sete Abutres”, produção em preto e branco de 1951 que finalmente sai em DVD, depois de ser encontrado apenas em VHS: no dia 20, o disco será lançado pela Paramount e vendido, inicialmente, apenas pela Livraria Cultura.

Trata-se da primeira incursão de Wilder (1906-2002) contra a imprensa – ele voltaria, de forma mais cômica, em “A Primeira Página”, de 1974, com sua dupla favorita, Jack Lemmon e Walter Matthau. “A Montanha”, no entanto, representa um soco direto no jornalismo sensacionalista. Chuck Tatum (Kirk Douglas) é um repórter que, depois de ser mandado embora de um grande jornal, arruma emprego em outro, menor, de uma pequena cidade do Novo México. Lá, quase nada acontece e, quando seu editor lhe sugere escrever sobre o aumento na colheita de cereais da região, Tatum responde com uma máxima: “Boa notícia não é notícia”.

Até que um fato muda completamente sua rotina: o acidente em uma mina deixa um homem preso (Richard Benedict). Inescrupuloso, Tatum vê no acontecimento uma oportunidade para se autopromover. Conseguindo a cumplicidade do xerife e da mulher da vítima, ele mantém o homem preso na caverna para que possa continuar a produzir a série de matérias. E também para que possa se vingar dos antigos patrões, que agora precisam dele para conseguir notícias.

A região ao redor da mina é ocupada por um enorme parque de diversões, tomado por curiosos que até se esquecem os motivos que os levaram lá – o fato justifica um dos títulos originais do filme, Big Carnival, o grande carnaval. Na verdade, entre os personagens, poucos se salvam. Lorraine, mulher do mineiro preso, por exemplo, interpretada por Jan Sterling, não se importa com ele, interessada apenas em deixar a pequena cidade e sua entediante rotina.

Inspirado em dois fatos reais, “A Montanha dos Sete Abutres” foi um tremendo fracasso comercial e de crítica. Na verdade, a sociedade da época não estava preparada para uma crítica tão contundente e somente com o tempo suas qualidades foram reconhecidas, a ponto de ser incluído, em 2008, na lista dos 500 maiores filmes da história. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Montanha dos Sete Abutres

Direção: Billy Wider

Lançamento: Paramount, R$ 29,90 (a partir de 20/6)