A ciência política no âmbito das universidades – A ação sobre os espíritos (II)

Parece que não há exagero em se afirmar que os ?espíritos? se constituem no campo mais apropriado à inserção da ciência política na vida política. Talvez tenha sido este o motivo que levou o cientista Jean Meynaud a concluir o seu livro com o parágrafo III, da seção I, A ação sobre os espíritos.

A ação da ciência política sobre os ?espíritos? surge na interação professor-estudante. Vejamos: Se quem ensina em francês é professor de francês, quem ensina ciência política é professor de política! Observe-se – a bem da clareza – que as duas relações aqui expressas excluem qualquer tipo de ideologia e de propaganda que aconteçam, se for o caso, no âmbito dos partidos, e não das universidades. O chamado à verdade científica dirime qualquer dúvida na relação professor-ciência-estudante.

A ação da ciência política sobre os ?espíritos?, sem desvio ideológico, há de se estribar, sempre, no corolário sociológico: Não há sociedade que seja igual a ela mesma em dois momentos sucessivos. Quer dizer: a sociedade permanece enquanto muda; não importa se mudança espontânea ou racional.

Neste instante, uma advertência, mesmo que ingênua, se faz necessária: torna-se preciso, em qualquer circunstância, que, ato reflexo, a razão ?repare? a razão! Esta característica central do homem pode ser a base, o depósito e a expressão contundente da deturpação ideológica da realidade, formando, sem nenhum escrúpulo, todo tipo de parasitismo social.

Na sua conceituação de Estado, Leslie Lipson coloca nas concepções dos homens o aperfeiçoamento das funções que, em suma, são o próprio Estado. Este raciocínio conduz ao seguinte: que é o cidadão, o homem que se governa de dentro para fora, que influencia, positivamente, o Estado no seu andamento; logo, no sentido oposto, a massa o conturba. Afinal, sem consciência não há Estado, ao menos nos dizeres, adequados e apropriados, de Lipson.

Pedro Henrique Osório é professor universitário.

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