Esculturas em vidro feitas pela artista plástica Janete Fernandes estarão expostas a partir desta quarta-feira no Museu Alfredo Andersen. A mostra é o resultado de um intenso trabalho de pesquisa que Janete desenvolve há três anos, desde que esteve no Amazonas e Pará.

Trabalhando em vidro, alta temperatura na técnica “fusing” e termo de moldagem, a artista retrata a biodiversidade e a perda do patrimônio genético. O conjunto da obra foi intitulada “Amazonas cacos de uma civilização”, representada por um painel de quatro metros, modulados em pranchas de vidro de um metro e 20 centímetros de comprimento por 30 centímetros de largura.

Cada uma das seis salas do museu receberá uma instalação. Os ambientes serão escurecidos e apenas as peças, iluminadas por um especialista. “Desde que voltei da Região Amazônica não pude mais trabalhar com outra coisa que não a depredação do nosso patrimônio genético. O foco do meu trabalho voltou-se totalmente a gritar contra o fato de estarmos sendo engolidos por uma tecnologia a serviço da intenção política global”, argumenta.

Janete conta que presenciou cenas tão violentas contra a natureza, perante as quais não é possível ficar passiva. “A América Latina depende da Amazônia e nós brasileiros que temos grande parte dela, estamos jogando-a fora.

Se as autoridades não agirem rapidamente seremos os responsáveis por uma grande tragédia ecológica que terá conseqüências diretas na população mundial”.

A analogia com o vidro veio naturalmente ao pensar em perdas e cacos. “A Amazônia é um ecossistema tão frágil quanto o vidro. Esses cacos podem ser percebidos nas moças que se prostituem nos navios pesqueiros, no olhar triste do caboclo, na mata devastada, na falta de esperança”.

Serviço:

Museu Alfredo Andersen. Mostra de Janete Fernandes.

De 5 de maio a 5 de junho, terça a sexta-feira, das 9h às 18h30; sábado e domingo, das 10h às 16 horas.