É o ano mais estrangeiro da SP-Arte – Feira Internacional de Arte de São Paulo, que será inaugurada na quarta-feira, 2, no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera.

Das 136 galerias presentes na edição, que comemora 10 anos de evento, 40% vêm do exterior e 60%, de brasileiros. Esse quadro traz uma competitividade maior, diz Fernanda Feitosa, diretora e criadora da SP-Arte. Indica aposta no Brasil, mas, até dez dias atrás, como ela mesma conta, o clima ainda era de apreensão por parte dos participantes. “A situação do País é menos otimista do que nos anos anteriores”, afirma a advogada. “Mas o mercado se molda”.

Entre os motivos de preocupação, enumera, estão as últimas manifestações populares e o polêmico decreto 8.124/13 do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que coloca a possibilidade de obras de acervos privados serem declaradas de interesse público. “Ano passado, os técnicos do Ibram estiveram na feira e, neste ano, comunicaram-se conosco. Em colaboração, enviamos um comunicado às galerias lembrando que as que negociam obras produzidas até 1970 precisam se cadastrar no Instituto Brasileiro de Museus”, conta Fernanda Feitosa.

A medida, na verdade, pode afetar mais as galerias de obras modernas e os escritórios do mercado secundário – 25 participantes desta edição da feira, que vai até domingo. “Não há pânico, devemos dizer”.

Realizada desde 2005 no Pavilhão da Bienal, a SP-Arte só cresceu a cada edição. Com orçamento de “mais de R$ 6 milhões”, como conta Fernanda Feitosa – do montante, R$ 1,94 milhão foi captado via Lei Rouanet -, a feira ocupará, desta vez, 21 mil m² do edifício desenhado por Oscar Niemeyer, ou seja, o piso térreo e 1.º e 2.º andares do prédio (e o contrato de aluguel do local já está firmado para até 2018). Para se ter ideia, o evento estreou em 2005 com a participação de 41 galerias (brasileiras e 1 do Uruguai). Hoje, são 136 participantes, entre eles 78 galerias nacionais e 58 estrangeiras, de 17 países. O evento ainda conta programação de debates, premiações e exposição de seu laboratório curatorial.

Fernanda Feitosa comemora a presença de representantes poderosos do circuito internacional, como os estandes da Gagosian (que, em 2013, apresentou uma escultura do britânico Henry Moore avaliada em US$ 2 milhões), Marion Goodman, Pace (que exibirá fotografias de Hiroshi Sugimoto por US$ 200 mil), White Cube, Lisson, Yvon Lambert, Thaddaeus Ropac e Van de Weghe (que trará pela primeira vez trabalho do norte-americano Jean-Michel Basquiat).

Outro destaque é a exibição de obras do pintor alemão Gerhard Richter – em 2012, sua tela Abstraktes Bild, de 1994, que pertencia ao músico Eric Clapton, foi vendida em leilão por US$ 34,2 milhões, um recorde.

Mas há quem pondere sobre esse atual quadro da SP-Arte. “Tenho dúvidas se essa presença de estrangeiros no Brasil se sustentará”, diz o galerista André Millan, de São Paulo, que colocará à venda peças de Mira Schendel (1919-1988), artista celebrada internacionalmente – situação coroada, recentemente, com exposição da suíço-brasileira na Tate de Londres. “Francamente, não sou fã dessas galerias estrangeiras mais agressivas. Acho seu trabalho estritamente comercial, não pensado a longo prazo. Elas vão apenas onde o dinheiro está”, completa Millan.

Mais uma vez, para estimular as vendas, as obras comercializadas até domingo na SP-Arte 2014 terão isenção de 18% de ICMS, imposto estadual recolhido na comercialização de mercadorias, para galerias estabelecidas em São Paulo e compradores residentes no Estado (neste caso, atrativo também para os estrangeiros). É o terceiro ano consecutivo que vigora essa medida, feita a partir de decreto assinado com a Secretaria da Fazenda do governo do Estado – e ocorrerá também em 2015. Segundo Fernanda Feitosa, o governo estadual divulgou que a isenção do ICMS durante a feira gerou R$ 50 milhões em negócios em 2012 e R$ 100 milhões em 2013.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.