Em 27 de setembro de 1827, a Assembléia-Geral Legislativa do Império autorizou ao governo criar um observatório, subordinado ao Ministério do Império, cujas normas fossem determinadas pelas lentes da Academia Militar e da Marinha. Um decreto de Dom Pedro I, em 15 de outubro daquele mesmo ano, determinou que o Visconde de São Leopoldo, Ministro do Império, desse início as atividades de criação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, “no lugar que se julgar mais apropriado”.

Mais tarde, em 1845, Jerônimo Francisco Coelho, Ministro da Guerra, nomeou para diretor do Observatório o astrônomo francês Eugênio Fernando Soulier de Sauve (? – 1850). Pelo decreto n.º 457, de 22 de julho de 1846, criou-se o Imperial Observatório do Rio de Janeiro.

A necessidade de transferir o Observatório do morro do Castelo para o novo local deu origem a uma Comissão, composta pelos engenheiros Paulo de Frontin e Oto de Alencar, que, depois de estudar diversos locais da cidade, escolheu o morro de São Januário, em São Cristóvão. Em 11 de agosto de 1911, o Decreto n.º 8.900 desapropriou os terrenos compreendidos entre as ruas General Bruce, General Argolo, Viana (atual General José Cristino) e Senador Alencar, a fim de neles ser instalado o campus do Observatório.

Em 1920, terminou-se a construção do prédio principal do Observatório Nacional, em São Januário, após uma série de contratempos. O projeto arquitetônico de autoria do astrônomo Mário Rodrigues de Souza (1889-1973) foi executado pelo engenheiro João Mattos Travassos ( – ). A transferência oficial deu-se em 6 de fevereiro de 1921, sendo a grande cúpula da equatorial de 46cm instalada um ano mais tarde. Apesar das qualidades astronômicas inferiores do sítio de São Cristóvão, como expôs inúmeras vezes o astrônomo Julião de Oliveira Lacaille (1851-1926), já na época as condições logísticas imperaram, motivando a instalação num local inadequado, como logo ficaria evidente.

Em 1929, o astrônomo Alix Corrêa de Lemos, substituto interino de Morize, iniciou um ousado projeto de construção de um observatório astrométrico e astrofísico – grande sonho de Morize -, que deveria ser instalado fora da cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista as condições já na época desfavoráveis para observações mais apuradas. Entretanto, Alix desentendeu-se com o Ministro da Indústria e Comércio ao qual estava subordinado. Em virtude desse desentendimento, Alix Lemos não foi nomeado diretor efetivo do Observatório no lugar do Morize que se encontrava na impossibilitado de reassumir o cargo. Foi nomeado o matemático Sebastião Sodré da Gama (1883-1951) que deu continuidade ao projeto. Em 1937, chegou a ser redigido o contrato com a firma alemã Carl Zeiss para que fosse encomendado um telescópio de 1,68 metro, um astrógrafo de 400mm de abertura e Ascorecord destinado as medidas astrométricas do novo observatório. Tal encomenda não se concretizou em virtude da Segunda Guerra.

Com readmissão do Brasil à União Astronômica Internacional, em 1961, a idéia de um observatório moderno ressurge das cinzas. De fato, em 1972, o projeto de instalação de um observatório astrofísico foi aprovado pela FINEP, quando então foi encomendado o grande refletor cassegrain-coudé de 1,60m, principal instrumento instalado em Brasópolis (Minas Gerais), em 1981, que deu origem ao Laboratório Brasileiro de Astrofísica, hoje Laboratório Nacional de Astrofísica.

Importantes contribuições têm sido realizadas graças aos novos pesquisadores que, em conseqüência da renovação da mentalidade universitária, é atualmente constituída não só por engenheiros, mas por bacharéis e doutores em física, matemática e astronomia, e que têm procurado desenvolver novos campos de pesquisas puras e não só de serviços, muito úteis, como foram na realidade os objetivos fundamentais do Observatório no início do século.

Em 22 de junho de 1976, pelo Decreto n.º 77 877, o Observatório Nacional passou a constituir um dos institutos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Com essa nova vinculação, prosseguiu nos seus objetivos, procurando ampliar as suas atuais linhas de pesquisa, pois se encontrava, a partir dessa data, subordinado a um autêntico órgão de desenvolvimento científico do qual já vinha dependendo indiretamente desde 1951, quando foi criado o CNPq.

Durante um longo período foi o principal observatório brasileiro, dedicando-se exclusivamente a pesquisas de astronomia e geofísica, desde que foi separado do Ministério da Guerra, em 1871, quando o Observatório deixou de se dedicar ao ensino. Só nos anos 1980, voltou a se dedicar também ao ensino, com cursos de pós-gradução em astronomia e geofísica. Recentemente em 1999, o Observatório Nacional foi transferido para o Ministério da Ciência e Tecnologia.

As contribuições do Observatório Nacional nos últimos decênios têm aumentado significativamente, em quantidade como em qualidade. No entanto, com a participação dos astrônomos do Observatório Nacional no Observatório Europeu Austral e nos projetos Gemini e Soar que visam instalar observatórios no Chile, em uma região de clima mais propício à observação astronômica do que a dos observatórios situados no Brasil, sem dúvida, a produtividade dos astrônomos do Observatório cuja capacidade é comparável em qualidade à da comunidade astronômica internacional, vai aumentar sensivelmente.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

é pesquisador-titular do Museu de Astronomia e Ciências Afins, do qual foi fundador e primeiro diretor. Autor de mais de 65 livros, entre outros do “Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica – 2.ª edição – revista e ampliada”. Consulte a homepage:
http://www.ronaldomourao.com