Rio de Janeiro – O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter, decidiu no último voto, pela manutenção da punição ao São Caetano, que segue com a perda de 24 pontos e termina o Campeonato Brasileiro na 18.ª colocação, com 53 pontos. Por três votos a dois, o time do ABC foi considerado culpado no caso de morte do zagueiro Serginho, que na leitura da entidade estava como jogador irregular em campo. Dois outros auditores votaram contra e outro por uma multa de R$ 50 mil. O Fluminense acabou beneficiado: manteve-se na 9.ª posição e vai disputar a Copa Sul-Americana de 2005.

Segundo o jurista Valed Perry, o voto pela multa pode ser considerado equivalente ao de absolvição, o que devolveria os pontos ao São Caetano. Zveiter adiantou que prevalece a leitura do STJD.

A votação foi polêmica e revelou a atual divisão política do tribunal entre os que apóiam o presidente Luiz Zveiter e aqueles que defendem a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Durante a sessão houve até agressões verbais entre Zveiter e o auditor José Mauro Couto de Assis.

Valed Perry e José Mauro Couto de Assis, que entraram no tribunal com a simpatia da CBF, absolveram todos os acusados. Além do São Caetano, eram réus o presidente do clube, Nairo Ferreira de Souza, punido com 720 dias de suspensão, e o médico Paulo Forte, afastado por 1440 dias.

Em discurso inflamado, José Mauro Couto de Assis pediu a absolvição de todos. Alegou não ter visto nenhuma evidência de que houvesse culpa no caso da morte do zagueiro Serginho, em 27 de outubro, durante a partida com o São Paulo, no Morumbi. "Achei o processo relativamente simples. Ou sou um imbecil ou algo está errado", disse José Mauro Couto de Assis. "Se condenarmos, estaremos fazendo um homicídio moral e profissional. Não vejo responsabilidade do clube e até mesmo dos dirigentes. Todos, se forem punidos, serão vítimas." Ao finalizar a votação, Zveiter ironizou as declarações de José Mauro Couto de Assis, dizendo ter ficado incomodado com a suposição feita pelo auditor de que, se ele não fosse um imbecil, os demais votantes que discordassem de sua posição então o seriam. "Não concordo com vossa excelência, que disse que seria um imbecil ou nós seríamos", respondeu Zveiter. "Após o meu voto, talvez vossa excelência saia com a impressão de que é um imbecil completo", falou Zveiter ao iniciar seu voto. A seguir, o presidente do STJD começou a rebater a todas as afirmações feitas por José Mauro para absolver todos. No final da sessão, os advogados de defesa do médico e do presidente do São Caetano ainda tentaram diminuir as penas de ambos, apresentando dispositivos jurídicos para tal pretensão. Mas foram todos rejeitados por Zveiter.

Irritação

O presidente do São Caetano saiu do STJD irritado, sem esconder descontentamento com as decisões e não falou com os jornalistas. Apenas balbuciou frases desconexas como "A decisão foi tomada". "Não tenho nada a falar". Indagado sobre a possibilidade de ir à Justiça Comum, retrucou: "Vá perguntar ao presidente", disse sem esclarecer a quem se referia com a ironia.

Apesar de a decisão não ser mais passível de contestação na Justiça Desportiva, o São Caetano ainda tem uma remota possibilidade de reverter a condenação. O clube pode impetrar no STJD um "recurso de revisão". Mas seria necessário apresentar provas novas que fizessem Zveiter reabrir o processo e colocá-lo em discussão outra vez.