A final do Campeonato Paranaense, entre Adap e Paraná Clube, leva a Maringá lembranças da época de ouro do futebol local. Nos anos 60, 70 e 80 o Wille Davids sediou jogos decisivos do estadual – evento que a Cidade Canção não vê há 25 anos graças à decadência de seus representantes.

Em 1962 e 63, o então Grêmio Esportivo Maringá levantou o bicampeonato paranaense ao vencer triangulares decisivos – no primeiro ano superou Ferroviário e Cambaraense e no segundo Cambaraense e Seleto (Paranaguá). A equipe jogava no antigo Willie Davids, à época também conhecido como Estádio dos Eucaliptos, construído em madeira.

O terceiro e último título do Grêmio veio em 1977, um ano após a reconstrução do Willie Davids, no mesmo local da velha praça. Em 25 de setembro, 27 mil pessoas se acotovelaram para ver o Galo bater o Coritiba no primeiro jogo da decisão do estadual: 1 x 0, gol de Itamar Belasalmas, hoje técnico de futebol. ?O Aladim ainda perdeu um pênalti para o Coxa. Eu tinha sete anos, mas lembro bem?, conta Edval Meschiliari, diretor de futebol do atual representante da cidade, o Galo Maringá. Na volta, o Grêmio segurou o 1 x 1 no Couto Pereira e interrompeu a série de seis títulos seguidos dos coxas-brancas.

Na segunda final, os maringaenses fracassaram. E diante dos maiores rivais – no dia 22 de novembro de 1981, o Londrina venceu por 3 x 2 o primeiro jogo da final interiorana, com gols de Carlos Henrique, Zé Dias e Zé Roberto para o Tubarão e Jaci e Paulo César para o Galo. Na partida de volta, no Café, o Londrina ganhou novamente (2 x 1) e comemorou o título.

Depois de alguns anos de ostracismo, ano passado o Willie Davids voltou a abrigar grandes jogos. Foi lá que o Cianorte humilhou o Corinthians por 3 x 0, pela Copa do Brasil, e onde o Paraná Clube desafiou os quatro grandes paulistas, sempre com casa cheia.

Ingressos só no interior

Só o interior do Estado vai vender ingressos para o primeiro jogo da final do Paranaense. Ontem foi definida a carga de 15 mil entradas para o duelo inaugural entre Paraná Clube e Adap, amanhã, às 15h40, no Willie Davids.

O Paraná anunciou ontem que não haverá venda de ingressos em Curitiba. A Adap, a diretoria do Galo Maringá e a prefeitura de Maringá, que dividem a organização da partida, decidiram não imprimir bilhetes específicos para as torcidas de Paraná e Adap –
assim, quem chegar antes garante o seu.

O Willie Davids terá no domingo toda a estrutura montada para os jogos com grande estimativa de público, como os do Paraná Clube contra equipes paulistas, no ano passado. Haverá câmeras de vídeo monitorando a torcida, 100 seguranças particulares, quatro ambulâncias e acesso especial para a torcida do Paraná, junto ao placar do estádio.

A Torcida Fúria Independente, do Paraná, conseguiu locar apenas três ônibus para a caravana até Campo Mourão -muitas empresas recusaram-se a ceder veículos por causa da briga que envolveu o grupo após a partida contra o Rio Branco, em Paranaguá. Ontem, o diretor da torcida, João Luiz de Carvalho, disse que dois ônibus já estavam lotados. O valor cobrado é R$ 25,00, sem contar o ingresso.