Giovani passa pelo bloqueio
triplo da Itália.

Hamamatsu, Japão – A seleção brasileira masculina de vôlei ultrapassou a primeira grande barreira em seu caminho para Atenas. Ontem, em Hamamatsu, na estréia na segunda etapa da Copa do Mundo do Japão, que distribui três vagas para a Olimpíada, venceu a Itália, uma das favoritas ao título, por 3 sets a 1 (25/18, 26/24, 20/25 e 25/22), pelo Grupo B. A seleção teve o apoio de uma torcida barulhenta – Hamamatsu concentra a maior colônia brasileira no Japão, com 20 mil imigrantes.

O Brasil, que assumiu o segundo lugar na classificação, deve ter vida tranqüila na terceira etapa. Em Okayama pega a China no domingo, às 4h05; o Canadá na segunda-feira, à 1h35; e o Egito na terça-feira, à 1h35, sempre no horário de Brasília, com Sportv. É na quarta e última etapa do torneio, a partir do dia 28, em Tóquio, que voltará a enfrentar rivais perigosos como Sérvia e Montenegro e Estados Unidos. Mas a Sérvia e Montenegro terá de jogar com França e Itália, adversários difíceis.

“Ganhar da Itália ampliou as chances de classificação para Atenas. Estamos felizes por ter derrotado uma equipe tão boa”, comentou o técnico Bernardo Rezende, para quem a virtude do Brasil foi conter o ataque rival com defesa e bloqueio eficientes.

“Tivemos dificuldade no terceiro set, quando eles mudaram o levantador e a forma de jogar. Também alteramos algumas posições no quarto set e isso funcionou. Foi uma partida tensa, mas jogamos bem.”

Giba, que substituiu Giovane no quarto set, disse que vencer um dos times que está entre os favoritos foi positivo. Mas observou que o Brasil ainda terá rivais difíceis pela frente. “Passamos por Itália e França, mas temos de estar ligados. Não podíamos ter perdido o terceiro set, pode fazer falta.”

Para o levantador Ricardinho, que acha que aprendeu com Bernardinho a controlar a emoção, a vitória contra a Itália dá confiança. “Mas os dez dias que faltam são os mais difíceis. O cansaço físico e psicológico começa agora. Temos de dividir o bolo em fatias e ir comendo aos poucos.”

Outros resultados de ontem: Pelo Grupo A Estados Unidos 3 x 1 Japão, Sérvia 3 x 1 Canadá, Egito 0 x 3 China; pelo Grupo B Coréia 3 x 1 França e Venezuela 3 x 0 Tunísia.

Psicologia, a arma do vôlei

Depois da brilhante vitória da seleção brasileira masculina de vôlei, contra a Itália, a equipe de Bernardinho vai atrás do título inédito na Copa do Mundo de Vôlei. A vaga entre os três primeiros colocados já está garantida e para os próximos jogos mais uma vez entra em ação o doutor Gilberto Gaertner, o psicólogo da seleção e a grande arma do time.

No Japão, Gaertner está usando com a equipe um trabalho diferenciado, uma analogia do treinamento dos samurais, o Miyamoto Musashi. “Estamos utilizando algumas referências do próprio Japão e também as características de cada cidade, seus templos e castelos. Outro diferencial deste ano está sendo a utilização de áudio-visuais, onde os atletas e comissão técnica são os protagonistas”, revela Gaertner, sobre a técnica que vem sendo utilizada junto aos atletas, para unir o grupo em torno do objetivo maior.

Além da parte oriental, ele também está fazendo dinâmica de grupo para reforçar a coesão e desenvolver a comunicação dentro e fora da quadra. “A equipe está muito bem e treinando motivada”, disse Gilberto.