Colaborou Elaine Felchacka

O potencial construtivo – título da Prefeitura de Curitiba que tornou-se conhecido após ser escolhido para viabilizar as obras de adequação da Arena da Baixada às exigências da Fifa – entrou de vez na campanha do 2.º turno dos candidatos a prefeito da capital. Ontem, em debate na ÓTV entre Ratinho Junior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT), no qual eles responderam perguntas de universitários, as facilidades criadas pelo poder público para viabilizar o estádio do Atlético vieram à tona. Em determinado momento, um participante do programa perguntou aos candidatos o que eles achavam do potencial construtivo.

Gustavo Fruet foi legalista na resposta. Disse que há um contrato assinado, mas que a Prefeitura de Curitiba precisa cuidar para que haja transparência e para que o Atlético cumpra com suas contrapartidas. Já Ratinho Junior foi incisivo: “Sou contra dar dinheiro para o Petraglia. Se tem que ter potencial construtivo para o Atlético tem que ter para o Coritiba e para Paraná”. Foi a primeira vez que um candidato, desde o 1.º turno, se posicionou contra a cessão de títulos do município para viabilizar o estádio escolhido para sediar quatro jogos da Copa.

Marco André Lima
Gustavo Fruet foi legalista.

O candidato finalizou seu raciocínio com a seguinte frase: “O potencial construtivo para o Atlético deve existir, desde que o Petraglia me dê a Arena como garantia.” O Paraná Online tentou ouvir o presidente do Atlético sobre a declaração, mas não obteve retorno. A única informação dada era que o dirigente iria requisitar a fita do debate.

Dinheiro público

O Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) não deve votar hoje o relatório elaborado pela comissão da Copa do Mundo de 2014, sobre os acordos relativos ao financiamento das obras na Arena da Baixada. A decisão pela inclusão do relatório está nas mãos do presidente Fernando Augusto Mello Guimarães, que ainda pretende analisar a necessidade de colocar em pauta o assunto. A tendência é que votação seja confirmada para a próxima sessão, marcada para quinta-feira da semana que vem. O relatório pode ter interferência direta na lei sobre uso do potencial construtivo. Isso porque, há a possibilidade de o TCE declarar que os títulos são dinheiro público em obra privada.