O fato só não evoluiu para uma crise pelo bom momento dentro de campo, mas os contínuos atrasos salariais no Vasco começam a contaminar o ambiente entre os jogadores. Na reapresentação do elenco, na última quarta-feira, dois líderes do elenco tomaram a palavra para cobrar a diretoria providências para quitar os dois meses de atrasos nos salários e três meses nos direitos de imagem.

O atacante Alecsandro e o goleiro Fernando Prass, ainda que reforcem o discurso de que o problema não vai afetar a dedicação dos atletas, confessaram incômodo com a situação.

“Em qualquer profissão, se você não recebe não tem como estar satisfeito. Estamos fazendo a nossa parte, que é jogar futebol, e esperando que a diretoria faça a dela”, disse Alecsandro.

“É uma diretoria inteligente, que tem bom convívio com os jogadores, na qual nós confiamos e que é representada pelo maior ídolo do Vasco. Espero que o Vasco seja grande não apenas no nome, mas também na estrutura”, comentou o atacante, em referência ao presidente Roberto Dinamite.

A preocupação de Fernando Prass se estende para dentro do campo na medida em que o aperto financeiro pode representar a venda de jogadores importantes. O goleiro teme que a equipe perca nomes como o zagueiro Dedé e volante Rômulo e não consiga a reposição adequada para seguir lutando por títulos.

“Os contratos de alguns jogadores estão terminando, como Fellipe Bastos, Eder Luis e Renato Silva. Outros têm mercado e rescisões altas, como Dedé e Rômulo, e se forem vendidos podem ajudar o clube. É preciso tomar cuidado”, ponderou Prass.

A diretoria corre para quitar a dívida até esta sexta-feira e permitir aos jogadores concentração total no jogo do dia 6 contra o Náutico, às 20h30, em São Januário, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro.