Rio – A ginasta Daiane dos Santos e o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima foram eleitos os melhores atletas de 2004, na categoria feminina e masculina, durante a 6.ª edição do Prêmio Brasil Olímpico, realizado ontem à noite, no Teatro Municipal do Rio. Apesar da escolha dos melhores do ano, o momento mais aguardado da cerimônia foi o encontro entre Vanderlei e o grego Polyvios Kossivas, que o ajudou a se livrar do ataque do ex-padre irlandês Cornelius Horan, durante a maratona nas Olimpíadas de Atenas.

Com a eleição de ontem, realizada pelo voto popular, Daiane conquistou o bicampeonato do prêmio e se igualou a também ginasta Daniele Hypolito, vencedora em 2001 e 2002. Ambas, acompanhadas por Shelda, do vôlei de praia, voltaram a rivalizar, mas o voto popular optou pela atleta que encantou a todos com a coreografia embalada pela música Brasileirinho, de Valdir Azevedo.

Em 2004, Daiane conquistou definitivamente o carinho do público e se tornou uma estrela do esporte. A totalização de quatro medalhas consecutivas de ouro, nos exercícios de solo, obtidas em etapas da Copa do Mundo de Ginástica a tornaram favorita ao primeiro lugar do pódio na Grécia. Mas, uma cirurgia no joelho atrapalhou seus treinamentos e, na competição grega, alguns erros na execução dos movimentos fez com que ela terminasse em uma honrosa quinta posição.

Tanto Daiane quanto Daniele não participaram da entrega do Prêmio Brasil Olímpico, por estarem em Birmingham, Inglaterra onde disputam a grande final da Copa do Mundo no sábado e domingo.

Entre os homens, a persistência e a lição de amor ao esporte dada por Vanderlei em Atenas foram fundamentais para sua vitória, principalmente, porque também concorriam os campeões olímpicos da vela: Torben Grael, o maior medalhista olímpico do Pais, além de Robert Scheidt, eleito este ano o melhor velejador do mundo, pela Federação Internacional de Vela (Isaf).

"É muito gratificante tudo o que está acontecendo, porque foi tudo obra do acaso; tudo por causa daquele ataque que eu sofri em Atenas", disse Vanderlei. "O importante é que todos esses prêmios estão reconhecendo a minha superação e a força que tive para continuar na maratona, mesmo depois de ter sido atrapalhado. Não me sinto triste por ter deixado de ganhar a medalha de ouro. O principal é que o objetivo foi cumprido: ficar entre os três primeiros."

A garra demonstrada para prosseguir na maratona, após o ataque do ex-padre irlandês foi reconhecida pelo público. Em Atenas, o atleta liderava a prova faltando cerca de cinco quilômetros para seu término, quando Horan o agarrou e o atirou no chão. Neste momento, o até então espectador Kossivas pulou a corda de proteção para ajudá-lo e passou a ser conhecido como o ?anjo? de Vanderlei. E, nesta terça-feira, os dois protagonizam um reencontro emocionante.

Vanderlei ainda recebeu mais duas premiações. Foi eleito o atleta ?personalidade olímpica?, por seu exemplo de determinação e fair-play nos Jogos de Atenas, e condecorado com a medalha Pierre Courbertin, que havia lhe sido ofererecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) ao final dos Jogos, pela sua bravura no episódio do ataque do ex-padre irlandês.

Além de Daiane e Vanderlei, o nadador Clodoaldo Silva e a velocista Ádria Santos foram eleitos os melhores atletas páraolímpicos de 2004.