Foto: Valquir Aureliano/O Estado

Vadão diz que os reforços estão no grupo. Entre eles, Dagoberto.

A era Vadão começou no Atlético oficialmente ontem. E já no primeiro dia de trabalho com os jogadores, um novo clima pôde ser percebido no CT do Caju. Ficam em segundo plano a transformação tática e a mudança radical no elenco, e entra em ação o papel motivacional do técnico de futebol.

?Estavam muito abatidos?, confidenciou o treinador, que desde que assumiu o cargo tem citado o resgate da confiança e da auto-estima dos jogadores como as prioridades nesta semana inicial de treinos. Vadão credita à insegurança os últimos resultados ruins e falhas como os gols perdidos contra o Vasco.

Um dos exemplos do novo técnico é o vizinho Paraná Clube – quarto colocado do Brasileirão, mesmo sem contar com grandes estrelas. ?O elenco do Paraná não é melhor que o de Palmeiras e Corinthians. Mas estão com a motivação lá em cima?, compara.

No primeiro treino com o grupo, ontem à tarde, Vadão arrancou dos atletas a promessa de uma nova ?atitude?, como gostam de dizer os técnicos. O comandante se disse satisfeito com o empenho dos jogadores na atividade. ?Mudou tudo?, resumiu o lateral Ivan. ?Como o Vadão terá pouco tempo para armar o time, para esse primeiro jogo ele nos pediu muita disposição e vontade?, completou o jogador.

O novo treinador aguarda o resultado do ?choque? emocional para então pedir reforços. Além disso, Vadão vai rastrear dentro do elenco alguma solução ?escondida? para as carências do elenco. ?O Atlético tem critérios para contratar. Não é só chegar e indicar. Todos são observados com cuidado, por isso nem sempre é necessário procurar lá fora. O (atacante) Marcos Aurélio, por exemplo, ainda nem estreou, mas foi vice-artilheiro do Campeonato Paulista (na verdade, foi o terceiro maior goleador). Tentei trazê-lo para Ponte Preta, mas o Atlético chegou primeiro?, falou Vadão.

O treinador aproveita a popularidade para ganhar embalo diante do Flamengo, domingo, na Baixada. E nem haveria tempo para esperar, pois o Furacão tem só um ponto acima da zona de rebaixamento. ?O apoio da torcida dá mais responsabilidade, pois significa que todos esperam uma reação. E a hora tem que ser agora, porque o único remédio para a falta de confiança é a vitória. Daí a seqüência de resultados vai aparecer?, falou o otimista treinador.

Vadão: é Dago e mais dez

A escalação do Atlético para a próxima partida está assim definida: Dagoberto e mais dez. Em meio à novela envolvendo a renovação do contrato, atualmente fervilhando nos tribunais, o atacante vira a solução para os problemas ofensivos do Rubro-Negro.

Ontem, Vadão confirmou que o atacante está reintegrado oficialmente ao elenco atleticano. ?A diretoria passou uma lista com atletas disponíveis, e Dagoberto está incluído. Até pelo passado dele, tem grandes chances de ser titular contra o Flamengo.

O problema judicial não me diz respeito?, antecipou o treinador, que conversou reservadamente com o atacante antes do treino da manhã.

Foi justamente por causa de Dagoberto que o antecessor de Vadão pediu o boné. Givanildo de Oliveira revelou ter sido forçado pela diretoria a escalar o atacante, então afastado do elenco por ter desrespeitado o treinador. Vadão diz não temer que episódio semelhante – a interferência de cartolas na escalação de jogadores -prejudique sua gestão no clube. ?Trabalhei duas vezes no Atlético, e em ambas o (Mario Celso) Petraglia estava na diretoria. Nunca ele ou outra pessoa me pediu para colocar este ou aquele atleta?, garantiu. (CS)