Lopes, o técnico em quem a diretoria
deposita a confiança para sucesso em 2004.

Se há um torcedor que pode ver o mundo acabar, como se George Bush resolvesse explodir tudo que visse pela frente, é o do Coritiba. Com a melhor campanha no campeonato brasileiro nos últimos dois anos, atual campeão paranaense e prestes a iniciar sua segunda participação na Copa Libertadores da América, o Coxa parte como favorito à conquista do bicampeonato estadual. E os outros times tem um alvo claro: dinamitar, tal como Bush, a hegemonia alviverde.

Mais que todos, é o Atlético quem tenta soterrar a vantagem coxa. Depois de quatro anos que ficaram na história do clube, o Rubro-Negro teve duas temporadas de insucesso – o único título no período foi justamente o supercampeonato paranaense de 2002. Para este ano, as contratações de dez jogadores e principalmente a volta de Washington prenunciam uma equipe forte. E a ordem partiu do novo presidente, João Augusto Fleury da Rocha: o Atlético tem que jogar o Paranaense para ganhar.

O pensamento do Paraná Clube é semelhante. O time é o maior vencedor de campeonatos paranaenses nas últimas temporadas (seis, desde sua fundação, em 1989), mas ao mesmo tempo não leva a taça há seis anos. De lá para cá, o clube passou por profundas transformações, sofreu com ameaças de rebaixamento até no Estadual e agora adota a fórmula dos “pés no chão”, contando com jogadores desvinculados e atletas da casa. A favor, o carisma de Saulo de Freitas e a experiência do goleiro Flávio.

Ambos os times precisam muito do título. Afinal, deixar o Coritiba “tomar conta” do campeonato estadual, justamente em um ano que o Alto da Glória está em evidência, seria um pecado mortal. E os dois times precisam, antes de mais nada, buscar a recuperação no Paranaense. Mas e os clubes do interior? São treze “condenados”? Na verdade, o último campeonato provou que não se pode menosprezar qualquer equipe. Quando mais se esperava que eles seriam coadjuvantes, Paranavaí, Prudentópolis e Londrina chegaram às semifinais – e, por isso, serão nossos dignos representantes na Copa do Brasil. O Tubarão, com a marca do presidente Carlos Alberto Garcia e do diretor-técnico Raul Plasmann, é o principal postulante do interior.

Mas não se pode menosprezar a força do Paranavaí, que manteve Itamar Bernardes, e do Rio Branco, que conseguiu reforçar a base do ano passado. O Malutrom virá com um time extremamente jovem, e o Iraty também aposta na garotada, que disputou a última Copa São Paulo. Grêmio Maringá, Roma, União Bandeirante, Adap, Beltrão, Prudentópolis e os novatos Cianorte e Nacional também entram em campo a partir desta semana querendo mostrar força – e acabar com a festa do Coritiba.

Erro estratégico espanta o público

Sabe aquele aperitivo sem graça, que você evita para esperar o prato principal? É o Paranaense-2004, que começa na próxima quarta-feira, cheio de formulismos e com poucos atrativos para a torcida, “mal-acostumada” com os pontos corridos do último Brasileirão. O erro é estrutural (ou seria político?). A Federação Paranaense de Futebol prefere quantidade à qualidade e a competição terá 16 participantes, muitos deles clubes de empresários e sem identidade alguma com suas sedes.

Para “acomodar” tudo isso, retrocederam aos anos 60, com a divisão das equipes em duas chaves regionalizadas na tentativa de reduzir custos. Teremos um mês de competição para “selecionar” doze times entre dezesseis. Pior do que isso é o tal “quadrangular final”, um torneio da morte criado para justificar um calendário para os times eliminados após a fase classificatória. Este “torneio paralelo” define dois rebaixados, mas seu campeão representará o estado na Série C, enquanto clubes mais estruturados, que estarão disputando a segunda fase, ficam de fora da competição nacional.

Com um produto como esse, não é de se estranhar que nenhuma emissora de televisão tenha decidido investir em transmissões. Será um ano para o torcedor voltar ao estádio ou acompanhar seu time pelo rádio ou pelo jornal. O único real atrativo é buscar uma das três vagas para a Copa do Brasil. Os doze times classificados na primeira fase serão divididos em dois grupos agora sem regionalização e jogam em turno único. Os dois primeiros de cada chave fazem as semifinais. Os vencedores disputam o título da temporada.

Como é permitido o registro de novos atletas até a véspera do início das semifinais (terceira fase), é possível um time se reforçar apenas para as etapas decisivas. Com o término do Paranaense previsto para o dia 18 de abril, os finalistas caso sejam times da Série A (Coritiba, Atlético e Paraná) terão ainda o ônus de encarar a estréia no Campeonato Brasileiro (este sim o “prato principal”) três dias após a decisão.

Serão utilizadas, no total, 16 datas neste “samba do crioulo doido”. Com apenas mais duas rodadas, poderíamos ter uma competição equilibrada, em turno e returno, e com somente dez clubes. Um número mais racional para a realidade do nosso futebol. Sonhar pode não custar nada, mas imaginar equilíbrio e ponderação da cartolagem está mais para utopia do que para sonho…

Otimismo e reforços para 32.ª conquista

Ande nas ruas de Curitiba e rapidamente você vai perceber quem torce para o Coritiba. Nos últimos dias (ainda mais depois da contratação de Aristizábal), os coxas andam sorridentes, animados com a temporada mais importante do clube nos últimos 18 anos, e esperançosos pela conquista do 32.º campeonato paranaense e por uma boa campanha na Copa Libertadores da América. No discurso dos jogadores, da comissão técnica e da diretoria, só se fala em “ganhar tudo” em 2004.

Os reforços contratados aumentaram a expectativa. Principalmente Luís Mário e Aristizábal, que no papel formam uma das melhores duplas de ataque do futebol brasileiro. Se outros setores da equipe parecem ter sido negligenciados (a defesa, especialmente), a força ofensiva alviverde contrasta com a dificuldade que a equipe tinha no ano passado, quando teve o ataque menos efetivo entre os times que chegaram à Libertadores.

Mas o ano passado só serve como boa lembrança, o ano que levou o Coxa ao mais importante torneio interclubes do continente. Agora, as atenções estão voltadas para a temporada cheia. “Sem saber a fórmula da Copa Sul-Americana, já temos 68 jogos garantidos”, avisa o vice-presidente Domingos Moro. “Se quisermos manter esse nível, temos que entrar nas quatro competições querendo ganhar”, completa o atacante Josafá.

E o primeiro é o campeonato paranaense, que para o Coxa teve dimensões exacerbadas no ano passado, quando o time conseguiu o título invicto, feito que não acontecia desde 1936. “Vamos entrar para conquistar o bicampeonato”, diz o presidente Giovani Gionédis. “Não vamos priorizar nenhuma competição. O campeonato paranaense é importante, e é meu interesse particular ganhar o título”, confessa o técnico Antônio Lopes, que foi campeão estadual em 96, pelo Paraná Clube.

Mas é claro que haverá atenção maior para a Libertadores no primeiro semestre. Por isso, a partir do dia 10 de fevereiro (quando o Cori estréia na competição) serão vistos jogadores jovens e em busca do estrelato. Com as ?feras? poupadas para o torneio continental, Lopes terá que usar o time B – ou mesmo o C, em algumas partidas – para conseguir a classificação nas duas primeiras fases.

Mas nem isso aflige os otimistas torcedores coxas. Para eles, o Paranaense é o primeiro passo para um dos melhores anos da história do clube. Conscientes da empolgação – e da pressão que ela gera -, os jogadores tentam manter a calma. “É uma competição importante, que nós temos que encarar com muita seriedade”, resume Luís Mário, uma das esperanças da torcida – e uma das estrelas do campeonato paranaense, que começa para o Cori na quinta, contra o Iraty, no Couto Pereira.

Time-base: Fernando; Danilo, Esmerode (Juninho) e Nivaldo; Reginaldo Araújo, Reginaldo Nascimento (Roberto Brum), Luís Carlos Capixaba e Eder (Marcel); Aristizábal e Luís Mário.

Lopes, o comandante disciplinador

Antônio Lopes chegou ao Coritiba para ser o “comandante” da arrancada alviverde na Libertadores. Com experiência comprovada e títulos que vão do campeonato carioca até a Copa do Mundo, o treinador terá a responsabilidade de guiar o Coxa pelas tortuosas ciladas da América do Sul, sem esquecer dos problemas domésticos. Lopes é o único treinador que pode ser bicampeão paranaense neste ano, assim como o time que treina.

Os métodos de Lopes diferem – e muito – dos de Paulo Bonamigo. Rígido na disciplina e no trato com jogadores e imprensa, o treinador diz manter seu estilo graças ao “trinômio disciplina, união e trabalho”. Ao contrário do antecessor, não se preocupa em cultivar amizades no círculo de trabalho, e é um amante da hierarquia. Natural, para quem é delegado aposentado.

Mas Antônio Lopes é um vencedor. São inúmeras conquistas, quase todas elas pelo Vasco – incluindo o título brasileiro de 97, a Libertadores do ano seguinte e dois campeonatos cariocas. Por isso, o treinador é uma das grandes esperanças do Coritiba em 2004. Caberá a ele dar o rumo para a nau alviverde não afundar nem em nossos rios ou em mares nunca dantes navegados.

Elenco do Coritiba para 2004

JOGADOR

IDADE

Goleiros

Fernando

25

Fernando Vizzotto

25

Douglas

23

Júnior

21

Laterais

Reginaldo Araújo

26

Tesser

21

Adriano

19

Lira

20

Ricardo

18

Badé

20

Zagueiros

Danilo

21

Juninho

21

Esmerode

28

Nivaldo

23

Miranda

19

Meias

Roberto Brum

25

Ataliba

24

Reginaldo Nascimento

29

Pepo

21

Cacique

18

Márcio Egídio

18

Tiago Santos

18

Luís Carlos Capixaba

30

Rodrigo Batatinha

26

Éder

23

Alexandre Fávaro

20

Atacantes

Luiz Mário

27

Marcel

22

Ricardo Malzoni

19

André Nunes

18

Aristizábal

32