Mônaco – Acabou a seqüência de vitórias de Michael Schumacher na temporada de F-1. Uma batida na 45.ª volta tirou o alemão do GP de Mônaco e facilitou a vida do italiano Jarno Trulli, que venceu sua primeira corrida na categoria, ontem, em Monte Carlo. Quem deu trabalho ao piloto da Renault foi Jenson Button. O britânico da BAR diminuiu a diferença nas voltas finais e cruzou a linha de chegada apenas meio segundo atrás do vencedor.

“Esperei tanto por essa vitória, mas ela veio na melhor corrida, Mônaco”, comemorou Trulli, que estreou na F-1 em 1997.

Terceiro colocado, Rubens Barrichello completou o pódio no dia do seu 32.º aniversário. Outros dois brasileiros chegaram na zona de pontuação: Felipe Massa em quinto e Christiano da Matta em sexto. Juan Pablo Montoya foi o quarto, Nick Heidfeld, o sétimo, e Olivier Panis, o oitavo. A próxima prova da temporada é o GP da Europa, que será disputado domingo que vem, em Nurburgring, Alemanha.

Schumacher buscava dois recordes ontem: vencer as seis primeiras provas de uma temporada (ele divide a marca de cinco vitórias com o inglês Nigel Mansell) e igualar Ayrton Senna com seis triunfos nas ruas de Monte Carlo. Mas a quarta colocação no grid de largada, em uma pista reconhecida pela dificuldade de ultrapassagem, já era um indício de que o alemão da Ferrari teria problemas. O abandono pôs fim às esperanças do hexacampeão, que ainda assim lidera com folga a classificação do Mundial de F-1: 50 pontos, contra 38 de Barrichello, 32 de Button e 31 de Trulli.

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A corrida teve três acidentes e muitos abandonos – apenas nove dos 20 carros que alinharam no grid receberam a bandeirada. O primeiro susto aconteceu logo na largada, devido a um erro na luz vermelha, que piscou em vez de apagar. Os pilotos deram mais uma volta de apresentação e, quando largaram para valer, o pole-position Trulli manteve a ponta. Seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, pulou de terceiro para segundo, seguido por Button e Schumacher.

Já na terceira volta, Giancarlo Fisichella sofreu um acidente espetacular. A fumaça deixada pelo estouro do motor da BAR de Takuma Sato acabou com a visibilidade na pista, obrigando os pilotos a diminuírem a velocidade. David Coulthard exagerou na freada e teve sua McLaren atingida violentamente pela Sauber de Fisichella, que parou de cabeça para baixo, junto ao guard-rail. O italiano não sofreu nenhum dano.

A prova seguia sem novas emoções até a 31.ª volta, quando Alonso, então em segundo lugar, bateu forte, dentro do túnel, quando tentava ultrapassar o retardatário Ralf Schumacher. Alonso voltou aos boxes acusando o alemão da Williams de ter provocado seu erro.

A batida de Alonso trouxe o safety car à pista e complicou a vida de Jarno Trulli. Após parar nos boxes para reabastecimento, o italiano perdeu a liderança para Michael Schumacher. Só que o hexacampeão deixou a prova na 45.ª volta, também na saída do túnel. O alemão estava atrás do safety car quando, aparentemente, freou forte demais à frente de Montoya, que acabou atingindo o Ferrari número um. De volta à ponta, Jarno Trulli conduzia seu Renault com tranqüilidade para a vitória, mas Jenson Button conseguiu se aproximar nas dez voltas finais, tornando mais emocionante a vitória do italiano. “Havia o risco de acertar o guard rail, mas eu queria muito a vitória”, lamentou Button no fim.

Brazucas se dão bem nas ruas do Principado

Mônaco – Se os holofotes se voltaram para Trulli, ontem, os três pilotos brasileiros da F-1 tinham motivos também para se orgulhar do resultado. Todos pontuaram: Barrichello em terceiro, Massa, em quinto, Da Matta, em sexto. Isso não acontecia havia quase 13 anos. A última prova com três pilotos do Brasil nos pontos tinha sido o GP da Bélgica de 1991, em Spa: Senna em primeiro, Piquet em terceiro, Moreno em quarto. Foi, curiosamente, a prova de estréia de Schumacher na F-1.

Apesar do bom final, nem todos estavam felizes. Barrichello, por exemplo, falou que seu carro teve um comportamento muito estranho na corrida. Rubinho, que completou 32 anos ontem, disse que chegar ao fim da corrida “foi um presente de Deus”. O brasileiro, ao lado de Button e Trulli, pontuou em todas as provas no ano e está 12 pontos atrás de Schumacher.

Da Matta também não gostou muito do resultado final. “Era para chegar em quarto, pelo menos. Cheguei a andar bem perto do Rubinho. Mas aí me puniram por causa de bandeiras azuis”, resumiu o mineiro que marcou os primeiros pontos do ano para a Toyota.

Já Felipe era a alegria em pessoa. Ele passou ileso pelo acidente entre Fisichella e Coulthard na terceira volta e no final, por ter antecipado seus pit stops, estava quase sem pneus.