Foto: Valquir Aureliano/Tribuna
Flávio sabe que a Adap tem
um time muito bom e não
está na decisão por acaso.

Após dezoito jogos e um crescimento gradativo, o Paraná Clube chega a mais uma final de Campeonato Paranaense. Driblando a falta de recursos, o Tricolor conseguiu o ponto de equilíbrio mesclando jogadores experientes – como Flávio, Émerson e Beto – com a juventude de Gustavo, Maicosuel e Leonardo. Sem estrelas, mas com um time aplicado e solidário, o técnico Luiz Carlos Barbieri superou momentos de instabilidade e está a 180 minutos do objetivo traçado no início do ano. Pela frente um único – e perigoso -obstáculo.

No jogo de amanhã, às 15h40, no Estádio Willie Davids (Maringá), o Paraná encara a Adap, sensação do estadual pelo que fez na primeira fase e após eliminar a dupla Atletiba. Independente da qualidade do adversário, o Tricolor entra em campo decidido a conquistar uma vitória para decidir o título em casa e com vantagens. ?Disso, eu não abro mão. O nosso grupo está bem consciente e vamos para lá dispostos a fazer o resultado. Com a cautela que a Adap merece, pois já mostrou o seu valor?, disse Barbieri. ?Afinal, eles tiraram do páreo o grande bicho-papão do Estado, o Atlético?.

Na primeira fase, o Tricolor venceu os dois jogos que disputou contra a Adap (ambos por 3×1). Apesar dos números significativos, todos lembram que tanto em Campo Mourão como em Curitiba

o time do interior impôs um ritmo forte, valorizando sobremaneira os bons resultados. ?Lá, eles perderam dois pênaltis. Vencemos na superação?, disse o goleiro Flávio. ?No Pinheirão, eles saíram na frente e eu também defendi uma penalidade máxima?. Para o Pantera, a Adap não conquistou a vaga na final ao acaso. ?O time deles é muito bom?, resumiu.

Barbieri, que não fez mistérios quanto à escalação do Tricolor, disse que seu time está precavido para qualquer que seja a postura do adversário. ?Torço até para que ele venha com três atacantes?, disse. Em vários jogos – recentemente contra o Coritiba – Gilberto Pereira adotou postura extremamente ofensiva. Já o técnico paranista prega o equilíbrio. Foi no 3-6-1 que Barbieri encontrou a ?fórmula? ideal para conduzir o Paraná à esta final. ?Temos dois meias essencialmente ofensivos. Por isso, ocupamos o meio-de-campo sem perder o poder de fogo?, assegurou o treinador.

O trio Sandro, Maicosuel e Leonardo não só infernizou a zaga do Rio Branco, como marcou os cinco gols que fizeram o Tricolor passar pela semifinal com 100% de aproveitamento. ?O time vive um bom momento e isso é inegável. Mas, só jogar bem não basta. Na decisão, o que faz a diferença é a garra, a gana desse grupo?, comentou o artilheiro Leonardo.

Com pé direito na ala

Há dez anos ele chegava ao clube. Passou pelas equipes juvenil e júnior e três anos depois já era utilizado no time principal. Depois de todo esse tempo, Goiano disputa, agora, a sua primeira final de Campeonato Paranaense. Curiosamente, fora de sua posição de origem. Émerson Bueno dos Santos, aos 25 anos, decidiu dar uma guinada em sua carreira. Abraçou a posição de ala, deixando para trás quase uma década ?ralando? como volante.

?Estou num momento de muita felicidade. E é muito bom passar por isso aqui, pois o carinho que tenho pelo Paraná é muito especial. É minha segunda casa?, disse o ?novo? lateral-direito. Goiano chegou ao Tricolor, vindo de Bom Jardim, Goiás – na divisa com o Mato Grosso – em 1996. Só passou ao grupo principal na disputa da Copa Conmebol, em 1999.

?O Paraná usou praticamente o time júnior naquela competição. Mas, foi uma experiência muito boa?, recorda.

O primeiro título como profissional veio no ano seguinte, no Módulo Amarelo da Copa João Havelange.

?Eu estava no grupo, mas pouco joguei?, disse. ?No ano seguinte, fui para o Maringá, onde conquistamos o título da segunda divisão paranaense?. Por isso, no Willie Davids, Goiano estará bem à vontade. ?Foi um período legal da minha carreira e na seqüência voltei ao Paraná. Com o Bonamigo, atuei várias vezes.?

No entra-e-sai de volantes, o tempo foi passando e Goiano não conseguiu se firmar. No ano passado esteve a pique de ir para o futebol russo, mas a negociação ?melou?. No início do ano, decidiu partir para a ala e equilibriou um setor quase sempre carente. ?Agora, é bola pra frente?, disse Goiano. ?Estou evoluindo a cada jogo, buscando aprimorar o cruzamento e não mais sair do time.? O ala, agora, quer consolidar a boa fase com o título, para entrar no Brasileiro com o pé-direito. ?Só espero ter uma seqüência de jogos para emplacar no Brasileiro, que é uma competição de alto nível?, finalizou.

Paraná pode apresentar três reforços

Joelson, Aílton e Felipe Alves. Estes podem ser os primeiros reforços do Paraná Clube para a disputa do Brasileiro. A diretoria sai pela tangente e diz estar focada nas finais do estadual.

O mercado paulista continua sendo o principal campo de exploração. Mas, desta vez, destaques do futebol paranaense também podem reforçar o Tricolor. Mesmo negando com veemência, a diretoria só espera o fim do campeonato para ?bater o martelo? e acertar a contratação de Felipe Alves, da Adap. O volante, 24 anos, é um dos destaques do time de Campo Mourão e seu contrato expira no fim do mês.

Do adversário na final, outro que está nos planos é Batista. Tudo vai depender de um acordo com Adílson Batista, presidente do time do interior. O Paraná também tem interesse em dois jogadores do Iraty – Matheus seria um deles -mas tudo depende do avanço nas negociações com outras alternativas mais interessantes do interior paulista.

Já a situação de Joelson é estritamente jurídica. Assim que conseguir se desvincular do Ituano, começa a treinar na Vila Capanema. O meia Aílton, que em 2004 brilhou no Paulista de Jundiaí, é outro que deve chegar a Curitiba no início da semana. O jogador – que não mais pertence ao São Paulo – não teve boas passagens por Guarani e São Bento, mas é antigo sonho de consumo do Tricolor.