A freqüência de público dos times paranaenses no Campeonato Brasileiro comprova: o valor do ingresso é o grande chamariz para atrair o torcedor. Com a liberação do preço, Paraná e Coritiba, que não cobram quantias fixas para seus jogos, elevaram bastante suas médias na atual edição. Promoções como a da Nestlé ou o simples corte na bilheteria são as saídas para os clubes lotarem estádios.

O caso do Coritiba é o mais expressivo. O torcedor coxa-branca, terceiro mais assíduo do Brasileirão, compareceu em massa quando havia promoção para compra ?casada? (Santos e Palmeiras), antecipada (Juventude e Botafogo) ou troca de entradas por Nescau (Paraná, Paysandu e Brasiliense). Nestes jogos, o menor público foi de 16 mil pagantes, contra o Juventude.

Na única partida em que não houve promoção, o borderô despencou para 7.700 pagantes – e o adversário era o Flamengo, que apesar da interminável má fase ainda tem torcida no Paraná.

A diretoria alviverde reconhece o sucesso das promoções  – responsáveis por quase triplicar a média de público em relação a 2004 – e anuncia que manterá a política no restante do Brasileiro. ?O grande problema para o torcedor é a falta de dinheiro. Ainda mais agora, com jogos quarta e domingo?, observa o vice-presidente André Ribeiro. Para o jogo de amanhã, contra o Atlético-MG, tem mais promoção: as entradas para a arquibancada e cadeiras da Mauá caem para R$ 10,00. E quem comprou ingresso para o jogo com o Flamengo assiste à partida com o Galo desembolsando apenas mais R$ 3,00.

O Paraná Clube também jogou com mais público quando mudou a rotina. Nas cinco partidas mais assistidas da equipe havia desconto para compra antecipada, promoção da Nestlé ou eram os jogos transferidos para Maringá. Assim, a média tricolor em casa saltou de 4.195, em 2004, para 9.049 nestes primeiros 10 jogos em casa.

Mas a diretoria tricolor não se mostra tão satisfeita financeiramente. O vice-presidente José Domingos defende que as entradas promocionais a R$ 5,00, adotadas nos jogos contra Atlético-PR e Botafogo, não são lucrativas. ?Não dá nem para cobrir as despesas?, reclama. Ontem à noite, o tema seria debatido numa reunião entre diretores. Como o próximo jogo em casa, contra o Vasco, foi negociado com a Nestlé, e os seguintes (São Paulo e Palmeiras) serão em Maringá, qualquer mudança de preços só será sentida a partir do duelo com o Brasiliense, pela 27.ª rodada.

Não por acaso, o Atlético, que vendeu pacotes para a temporada inteira e não diferencia os preços de jogo para jogo, tem público mais linear. O Furacão leva à Arena de 6 a 16 mil pagantes e tem média de público ligeiramente inferior à de 2004, quando foi vice-campeão.