O capitão Thiago Silva disse não ter do que se desculpar pelo “chororô” na partida contra o Chile, duelo dramático até a última cobrança de pênalti, desperdiçada por Jara, sábado passado, no Mineirão. Em entrevista nesta quinta-feira, o zagueiro da seleção manteve a postura sem se abalar com tudo o que foi dito dele, na mídia e na rua, e garantiu ter a confiança de quem mais lhe interessa, o chefe Luiz Felipe Scolari, que estava ao seu lado na coletiva no Castelão.

“Não tenho nada engasgado sobre isso. Pelo contrário. Não escutei tudo o que disseram nem li todos os comentários. O que foi dito de negativo não vai me agregar nada”, disse Thiago Silva, para depois reconhecer suas características emotivas numa partida dura para a seleção.

“É a coisa mais natural do mundo esse tipo de pressão. Quando a gente se entrega ao que ama fazer, é assim mesmo. Tive uma descarga emocional (na hora dos pênaltis). Se a gente perdesse, voltaria para casa. Havia muita pressão para ganhar o jogo. Mas estamos bem em termos psicológicos. Eu me entrego de corpo e alma ao que faço. Não tem como não se emocionar. Mas estamos tranquilos para o jogo com a Colômbia”, disse Thiago Silva, sempre de cara fechada.

O zagueiro continuará com a tarja de capitão até o fim da Copa. Isso não muda. O que poderá mudar é sua postura emocional em campo. Thiago Silva entendeu que o momento é do Brasil por estar jogando em casa, que essa força da torcida mostrada nos estádios deve ser capitalizada como algo positivo e não para aumentar a pressão do time. “Se tivesse de dizer alguma coisa para o grupo, diria isso. ‘É o nosso momento'”, revelou.

Nesses três dias em Teresópolis antes da viagem para Fortaleza, Felipão tratou de colocar um ponto final nas fraquezas emotivas de seus jogadores. O que passou na decisão contra o Chile ficou trás. Esse é o recado da comissão técnica. Dessa forma, a liderança arranhada do capitão será retomada com o apoio do grupo.

Thiago Silva se apega ao fato de o treinador não contestar seu comportamento. Nem Felipão nem os colegas. “Em nenhum momento o comandante contestou minha atitude. O próprio Marin (José Maria Marin, presidente da CBF) me ligou para me dar tranquilidade. Não tenho de ligar para o que as pessoas falam. A emoção é uma coisa natural e ela não me atrapalha em campo. Tem gente falando muita bobagem”, afirmou.

Para rebater as críticas, Thiago Silva recorreu ao seu passado e lembrou que é um vencedor por já ter derrotado uma tuberculose. “Já passei por um momento difícil na vida, que foi vencer a tuberculose. Corri risco de morte. Sei que tenho minhas responsabilidades. As opiniões sobre o que nos aconteceu contra o Chile (um time visivelmente abatido emocionalmente) estão divididas. Precisamos do apoio de todos e não deixaremos entrar no nosso ambiente nada de negativo”, avisou o capitão.