Rio – A brincadeira de ser um Ronaldo, do Real Madrid ou Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona, custou caro a um dos principais valores da natação brasileira, campeão mundial dos 200m medley em piscina curta e quinto colocado nas Olimpíadas de Atenas na mesma prova, Thiago Pereira.

Há 28 dias, ao jogar bola em Volta Redonda, no sul fluminense, onde nasceu, ele sofreu uma luxação traumática na rótula do joelho direito e está fora do  Mundial de Esportes Aquáticos de Montreal, previsto para ocorrer entre os dias 17 e 31 de julho.

Pereira, de 19 anos, disse estar ciente dos prejuízos causados pela aventura e já informou que nem em computador jogará futebol. Acostumado a sofrer prejuízos no corpo por causa de peraltices, como quando quebrou os dois braços ao brincar de empurrar o carro da família na garagem de casa, o nadador recordou que pela primeira vez teve uma grave contusão como atleta de alto nível.

"A frustração por não ir ao mundial já passou. Percebi que foi um erro brincar de bola. E é errando que se aprende", disse Pereira, que iniciou hoje o trabalho de recuperação na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR). "Até brinco festejando o fato de ter sido agora. Já pensou se fosse perto do Pan-Americano, em 2007, ou das Olimpíadas, em 2008, meus verdadeiros objetivos?"

A contusão, além de tirar Pereira do Mundial de Montreal, adiou o sonho de morar e treinar nos Estados Unidos. O nadador havia viajado há uma semana para o país da América do Norte, mas como não conseguiu nadar por causa das dores no joelho direito voltou para se tratar no Brasil.

Responsável pela equipe médica que cuidará de Pereira, o médico João Granjeiro, estimou em 60 dias o prazo de recuperação e descartou a possibilidade de o joelho direito do nadador passar por uma intervenção cirúrgica. Já o médico Cláudio Cardone explicou que com o fim da contusão, o atleta não terá seqüelas ou problemas em sua performance na água.

"Esse tipo de trauma que o Thiago sofreu não ocorre na prática da natação. O problema é que como as articulações dos nadadores são mais flexíveis, ao praticar um esporte terrestre, elas ficam mais vulneráveis e suscetíveis a este tipo de lesão", afirmou Cardone. De acordo com o médico, apesar de o joelho de Pereira não estar inchado, ele sente dores porque tem uma atrofia muscular e os movimentos do local limitados.