O atacante Carlitos Tevez dificilmente fala com a imprensa. Não gosta dos microfones. Mas, quando se dispõe a dar entrevista, sempre surpreende. E não foi diferente ao falar com uma revista argentina de cultura regional, chamada La Garganta Poderosa. Aclamado pela torcida como “jogador do povo”, o ex-corintiano justificou tamanho carinho.

“Sou 100% vileiro”, resumiu o jogador, numa referência à sua forte identificação com a vila em que foi criado, o Fuerte Apache, local que originou um de seus apelidos: “El Apache”. De acordo com Tevez, o futebol o salvou da marginalidade. “Se não fosse o futebol, eu poder ter terminado como muitos meninos do meu bairro. Estaria morto ou preso, ou caído por aí, drogado.”

O jogador do Manchester City, desejado pelo Corinthians, criticou as notícias negativas que relacionam violência e pobreza. “Nada se fala que a maioria das pessoas vão trabalhar às 6h da manhã. A imprensa informa sem saber o que acontece nos nossos bairros. Eles não poderiam viver nem dois anos como nós vileiros vivemos. Estudam nas melhores escolas, nós somos muito mais fortes em nosso interior e somos melhores do lado humano, que é o mais importante.”

Se dizendo um “predestinado” por ter escapado da marginalidade, Tevez culpou a desigualdade social pela violência. “Eu penso que ninguém nasceu para ser bandido e que toda esta desigualdade faz com que muitos garotos passem a roubar. Na pobreza é difícil viver e alguns podem ser atraídos pelo dinheiro fácil”.