Rio de Janeiro – Os tempos obtidos pela equipe de natação do Brasil levaram a modalidade aos melhores resultados do país nesta edição dos Jogos Pan-Americanos. Numa comparação com o desempenho da natação na última olimpíada, em Atenas-2004, os doze ouros conquistados no Rio de Janeiro significariam quatro medalhas – um ouro, duas pratas e um bronze. Na última competição olímpica, o Brasil não ganhou uma única medalha. O resultado mostra que o grupo brasileiro deve chegar mais preparado para as Olimpíadas de Pequim, em 2008.

O nadador Thiago Pereira, a grande estrela dos jogos do Rio, que levou seis medalhas de ouro ? recorde de um atleta brasileiro num único Pan -, ficaria atrás apenas do fenômeno norte-americano, Michael Phelps, nos 200 e 400 metros medley. Ou seja, conquistaria duas pratas. Nas outras quatro provas (sendo dois revezamentos), o desempenho de Thiago seria regular: disputaria três finais, sem chegar ao pódio, e ficaria de fora de uma delas (200 metros peito).

Com os índices obtidos neste Pan, a nossa única medalha de ouro em Atenas viria com César Cielo nos 50 metros livre – o nadador paulista ficou a apenas dois décimos de segundo do recorde mundial de Alexander Popov. Já na prova dos 100 metros livre, quando levou ouro no Rio, ele ficaria com a quinta colocação. O outro pódio brasileiro na Olimpíada seria o bronze nos 200 metros borboleta com Kaio Márcio.

?É justo falar que este foi o Pan da natação?, resumiu Cielo. A natação foi o esporte que mais medalhas deu ao Brasil no Rio de Janeiro. Foram 27 (doze de ouro, seis de prata e nove de bronze). Resultado superior ao Pan de Santo Domingo, em 2003, quando a modalidade conquistou 21 pódios (três ouros, seis pratas e doze bronzes). Em tempo: dos doze ouros conquistados no Rio, em apenas uma prova (200 metros peito) não estaríamos no lugar mais alto do pódio há quatros.

O presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, como não poderia deixar de ser, enalteceu a performance da natação no Pan-2007. ?Não foram apenas as medalhas que obtivemos, mas resultados técnicos. Batemos todos os recordes pan-americanos e sul-americanos, o que demonstra que essa nova geração está preparada para dar saltos maiores em termos olímpicos?, assinala.

Para ele, o desempenho nos Jogos Pan-Americanos representa também uma grande expectativa para os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. ?Já estamos levando onze atletas que fizeram o índice olímpico. Ou seja, nadadores que têm reais chances de chegar às finais?, frisa. ?Temos hoje o Cielo e o Thiago que possuem o segundo melhor tempo do mundo em suas provas. Se o Michael Phelps não for a Pequim, teremos grandes surpresas?.

Segundo Coaracy, a atual geração da natação brasileira é a melhor da história. ?E quando temos uma geração brilhante, a próxima vai ser ainda mais brilhante. Isso ocorreu com o vôlei. O Brasil não será só o país do futebol e do vôlei, mas, a partir desse Pan, será também da natação?, prevê. Ele destacou, ainda, o apoio do governo federal, através da Lei Agnelo Piva e do Bolsa Atleta, e dos Correios, que patrocina os esportes aquáticos há 19 anos.