Ídolo do esporte mundial e prestes a se aposentar, Cesar Cielo agora pensa no legado que vai deixar para as próximas gerações da natação. O atleta do Pinheiros afirmou nesta quarta-feira que acredita nos bons resultados da modalidade visando os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

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Em entrevista exclusiva ao Estado, o campeão olímpico e dono de 17 medalhas em sete edições de Mundiais, sendo 11 de ouro, conta que está pensando em sua carreira profissional temporada por temporada.

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Aos 31 anos, Cielo ainda não sabe quando vai anunciar a aposentadoria, mas, apesar de não enxergar a sua participação na próxima Olimpíada, ele vê um futuro de conquistas para o Brasil. Confira abaixo a entrevista:

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Se antes a sua preocupação era com os resultados nas competições, hoje podemos dizer que você se preocupa com o legado que vai deixar para as próximas gerações?

De certa forma eu acho que sim e ao mesmo tempo vejo que não tenho muito mais a acrescentar no meu legado. Quero ajudar essa nova geração a ter um entendimento do alto rendimento e de comportamento em competição. É uma coisa que eu gostaria de ajudar eles a ter o mais rápido possível.

Como você vê essa nova geração e o futuro do Brasil na natação?

Estamos bem. É uma geração com campeões mundiais, com a Etiene [Medeiros] aí, o revezamento muito bem, o Bruno [Fratus] vem nadando muito bem também. Acho que já podemos imaginar grandes cenários para as próximas competições. O Mundial do ano que vem em piscina longa deve dar uma ideia muito boa do que deve ser 2020. Espero que a seleção saia de lá com algumas medalhas para começarmos a pensar em medalhas também na Olimpíada.

O Brasil está disputando o Pan-Pacífico com muitos nadadores jovens. Que diferença você vê entre a sua geração e as gerações atuais?

Em questão de comportamento, são gerações parecidas. Brasileiro é sempre um pouco mais brincalhão. Na questão de grupo eu vejo bastante essa rivalidade entre a geração de 2007 até pouco tempo atrás e essa que está entrando agora. Alguns deles eu conheço bem menos, não tive muito contato ainda, mas, pelos resultados, estou vendo que é uma geração que promete boas marcas no futuro e o primeiro teste deles é agora no Pan-Pacífico. Vão pegar seleções fortes e vamos começar a mensurar se eles vão conseguir grandes resultados a partir de agora.

Acredita que os nadadores brasileiros ainda apresentam dificuldades em relação às competições realizadas no País?

No Brasil temos poucas competições, tem praticamente três competições por ano e acho que isso acaba tirando um pouco aquele lado que nos Estados Unidos e na Europa é mais forte. Hoje é importante ver que meus companheiros de seleção e de treino estão mais confortáveis em competição, que estamos conseguindo grandes resultados.

Quem você destaca nos próximos torneios?

Alguns medalhistas como o Bruno e a própria Etiene não estão na seleção, então vou por o destaque para as categorias 4x100m livre e os 100m livre como nossas melhores provas agora no Pan-Pacífico.

Qual mensagem pretende deixar para a próxima geração?

Quero deixar a mensagem de que independente do país que a gente vem, independente do que a gente traz para a competição, podemos ser tornar um campeão mundial, assim como eu já fui.

Como você considera a sua participação (fora das piscinas) na formação desses jovens nadadores?

Tenho meu instituto desde 2009 com dois projetos sociais, um competitivo e outro que é de iniciação. Atualmente ajudamos mais de 200 crianças e, há alguns anos, eu tenho tentando mostrar para as crianças que é muita dedicação e treinamento. Eu não cheguei lá de outro forma se não fosse com o comprometimento. Tento ensinar os atletas para que futuramente possamos ter mais campeões.

Como está a sua relação com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA)?

Super bem, acho que o [Renato] Cordani tem sido um grande benefício para a CBDA. Ele tem feito grandes ações e tomado grandes responsabilidades para ele. Temos que agradecer por todo o trabalho que está tendo. Agora queremos que a cúpula da CBDA comece a tomar alguns atitudes para mudar algumas coisas em relação às competições para voltarmos a ter uma natação um pouco maior.