Organizador da etapa do Circuito Mundial de Surfe no Brasil, Teco Padaratz está no Havaí e fica até o dia 22 para acompanhar de perto o Pipe Masters, última etapa da temporada que define o campeão. Na torcida por Gabriel Medina, ele sabe que a principal qualidade do surfista brasileiro pode fazer a diferença no momento de decisão. “O Medina não tem medo, e isso acaba com o adversário. Ele é um homem de gelo”, diz.

Teco correu por muitos anos no Circuito e conviveu com Kelly Slater, que tem a fama de encantar os adversários nas baterias e levar a melhor nisso. “O Kelly é como a medusa. Na bateria, ele olha no fundo do seu olho e todo mundo se apavora. Consegui ganhar duas vezes dele porque soube lidar com isso. O Kelly olha para você, olha para sua prancha, bate na água, e com isso ele tira seu foco das ondas e faz você prestar atenção nele. Aí ele se preocupa só com as ondas e vence”, conta.

O brasileiro tem uma história inesquecível com o rival de Medina. “Na França, estávamos na final, e ele me deixou esperando 15 minutos no palanque, que era uma exigência da organização de apresentar os dois finalistas antes da bateria. Eu fiquei lá, morrendo de frio, e nada dele. Aí falei para o diretor da prova que iria para a água e de repente o Kelly chegou. Disse que estava com dor de barriga, mas duvido. Era só para provocar. Ele sempre faz isso.”

Teco, que também tem uma banda e criou uma marca de parafina, a Magnet Wax, garante que o sucesso de Medina é por méritos próprios, mas se orgulha de ter participado de uma geração talentosa, junto com Fabinho Gouveia, que abriu o mercado para os brasileiros. “O sucesso é apenas dele, que tem todos os méritos nisso. Acho que a minha influência foi no cenário, pois abri caminho para que ele pudesse vir, ajudamos a criar um respeito para os atletas e colaboramos para a chegada de patrocínios. Um dia a gente abriu essa porta”, conclui.