O Coritiba não quer nem pensar na hipótese de ficar seis meses longe da torcida. Para se livrar da ameaça, o clube está trabalhando para provar que o Couto Pereira está habilitado a receber, sem riscos, o público recorde da última sexta-feira, quando mais de 38 mil pessoas pagaram ingresso para assistir ao jogo contra o Marília. Ontem, o Coxa respondeu a um pedido de esclarecimento do Ministério Público, que investiga uma suposta superlotação do estádio.
Segundo dados do Corpo de Bombeiros, a capacidade atual do Couto Pereira é de 35.759 torcedores. Na partida contra o Marília, o público pagante anunciado foi de 38.689. O público total chegou a 43.649 pessoas. A situação afronta o parágrafo 23 do Estatuto do Torcedor, que prevê que o clube que vender mais ingressos que o limite do estádio perderá o mando de campo por no mínimo seis meses.
Denúncias da suposta superlotação chegaram ao MP, que pediu esclarecimentos ao Coxa. Ontem, o clube enviou sua resposta. ?Com a realização de obras de encadeiramento de parte do estádio (setor Mauá), o Coritiba, através de ofício dirigido ao Corpo de Bombeiros em 30/6/2005, informou que o número de lugares passava para 35.759, naquele momento, e 38.743 com os lugares a incluir, lugares esses cujos espaços já existiam, apenas faltando algumas providências como pintura, marcação e numeração?, diz ofício assinado pelo presidente Giovani Gionédis.
O Coritiba afirma que o público total da partida contra o Marília (43.649) inclui 4.960 pessoas que exerceram ?funções operacionais? no estádio, como vendedores, seguranças, policiais, imprensa e funcionários do clube. Também informa que, no ano que vem, irá solicitar a ampliação da capacidade do estádio para 40 mil pessoas, ?uma vez que há espaço suficiente para isso?.
Segundo o Coxa, os laudos que confirmam os números apresentados foram enviados ao MP. O promotor João Henrique Vilela da Silveira, da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba, confirmou que recebeu os documentos, mas diz que só irá se pronunciar a partir da próxima segunda-feira.
O Paraná-Online solicitou ao Coritiba uma cópia dos laudos que atestam a capacidade do estádio. Segundo a assessoria de imprensa, o funcionário responsável não estava no clube na tarde de ontem.
A reportagem também tentou conseguir uma cópia junto ao Corpo de Bombeiros. ?Esses documentos só podem ser divulgados com autorização do proprietário ou pelo responsável técnico pelo projeto?, informou o tenente Davi Simão, do setor de vistorias. Ele confirmou que a capacidade de público liberada pela corporação no Couto Pereira é de 35.759 pessoas e diz desconhecer qualquer alteração.
Arena também recebeu público superior à capacidade
O Atlético também enfrentou, recentemente, suspeitas de superlotação em seu estádio. No dia 23 de setembro, 25.096 pessoas pagaram ingresso para assistir ao clássico contra o Paraná, na Arena da Baixada. O público total foi de 26.691. Números que deixaram muitos desconfiados de um possível excesso.
A Arena, que já recebeu mais de 32 mil pessoas, teve sua capacidade reduzida para 23.319, após a colocação de cadeiras em todos os lugares. Em maio deste ano, com a derrubada do muro que separava o estádio do terreno onde ficava o colégio Expoente, o número subiu para 25.091 torcedores, confirmado pelo Corpo de Bombeiros.
Devido à grande demanda do jogo contra o Paraná, o Furacão colocou à venda ingressos para lugares com visibilidade parcial, localizados na parte superior das curvas. Assim, a capacidade total chegaria a 25.412. O clube, porém, trabalha com o número de 25.272 lugares.
Vila Capanema
O Paraná, que reformou seu estádio em 2006, ficou livre da polêmica. Clube e Bombeiros informam o mesmo número como capacidade máxima: 20.083 pessoas. O maior público na Vila este ano foi de 17.214 pagantes, na final do Campeonato Paranaense, contra o Paranavaí.


