Depois de um festival de lambanças, reclamações de advogados e contestações de clubes, a Federação Paranaense de Futebol – FPF – passará por um pente-fino. A procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva – STJD – determinou a abertura de inquérito para investigar denúncias de irregularidades na principal entidade do futebol do Estado.
O STJD já havia sugerido uma investigação na FPF, depois do julgamento que resultou na eliminação do Rio Branco da Copa do Brasil pelo uso de atletas em condição irregular. Na época, a defesa do Leão da Estradinha acusou a Federação de ter extraviado o contrato do volante Paulo Augusto – a papelada não chegou à CBF e por isso o clube foi excluído da competição.
A gota d?água para a oficialização do pedido foram as denúncias que a defesa do J. Malucelli levou ao STJD na última quinta-feira. O Jotinha pedia punição ao Rio Branco no Campeonato Paranaense pelo mesmo problema que tirou a equipe parnanguara da Copa do Brasil. O caso, porém, nem foi a julgamento, e o time de São José dos Pinhais queixou-se de ter sido prejudicado pela federação e seu tribunal.
Assim, os auditores do pleno do STJD concordaram em tirar a investigação do papel e vasculhar a entidade comandada por Onaireves Moura. O procurador-geral da corte, Paulo Schmitt, designou o auditor Rafael Fioravante para acompanhar o processo. A FPF foi comunicada segunda-feira da investigação, que depende só da assinatura do presidente do tribunal, Rubens Approbato Machado. No documento, o tribunal sediado no Rio de Janeiro cita que o objetivo do processo é ?analisar a conduta da FPF?.
De acordo com Schmitt, o inquérito é baseado não só nas reclamações de Rio Branco e J. Malucelli, mas também nas de outros clubes, como o Toledo, que se disseram lesados em seus direitos no futebol paranaense. ?O elevado número de processos que vêm do Paraná chamou a atenção dos auditores do STJD. Todo o pleno do tribunal apoiou a abertura do inquérito para averiguar se existem desmandos e irregularidades da Federação Paranaense?, disse o procurador-geral, salientando que desta vez o processo não mira o Tribunal de Justiça Desportiva, alvo de outro processo que culminou no afastamento por 45 dias do presidente, José Dutra Hagebock.
Schmitt não quis antecipar o alcance da investigação, mas afirmou que caso as irregularidades sejam comprovadas, a FPF e seus dirigentes serão responsabilizados. ?Tudo depende das provas a serem produzidas?, disse o procurador, que tem sido um forte crítico da bagunça no futebol paranaense.


