Londrina, que disputou a semifinal paranaense,
ganha mais tempo para treinar.

O medo de que Palmeiras, Portuguesa e Botafogo consigam “virar a mesa” e a falta de dinheiro para organizar a competição adiaram o início da série B do campeonato brasileiro, do dia 5 para o dia 17 de abril. Reunidos ontem na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca, os diretores geral e técnico da entidade, Marco Antônio Teixeira e Virgílio Elísio, o presidente do Futebol Brasil Associados (FBA), Peter Silva, o diretor executivo da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, e da Sport Promotion, José Francisco, o Kiko, não chegaram a um acordo que assegure a realização da disputa.

Mais do que a falta de dinheiro, a principal intenção é a de provar que Portuguesa (na Justiça comum para participar da divisão principal), Palmeiras e Botafogo vão estar na segunda divisão do brasileiro. Essa incerteza está dificultando a comercialização da competição. O pensamento dos dirigentes é o de que, com o novo prazo, a série A já terá tido seu início (sábado) sem a presença dos três rebaixados para a série B.

A falta de dinheiro também tem sido um empecilho. Até o momento, o FBA já angariou cerca de R$ 15 milhões para o custeio da segunda divisão, apenas a metade do montante necessário. Os recursos não são suficientes para custear as passagens aéreas e hospedagem dos clubes.

O presidente do FBA explicou que o adiamento também atendeu a uma necessidade dos clubes. De acordo com ele, várias equipes da segunda divisão não possuem, hoje, R$ 50 mil para registrar seus jogadores na CBF e pagar as despesas da primeira rodada da competição. Diante das dificuldades, o diretor-técnico da CBF já admitiu a possibilidade de mudança da fórmula de disputa (turno e returno por pontos corridos, totalizando 552 jogos). “A mudança é uma hipótese que poderia ocorrer se não tivermos dinheiro. Acredito que isto será uma situação limite”, disse. Para auxiliar as equipes, a CBF aceitou custear as despesas com arbitragem e exames antidoping, cerca de R$ 3,5 milhões, além de ceder a comercialização dos direitos de utilização da marca da bola da disputa.

Mas a reação dos dirigentes após o encontro deixou claro que o impasse é de difícil solução. Por exemplo, o diretor da Globo Esportes que chegou risonho e prevendo para uma hora a duração da reunião, saiu da CBF depois de 2h30 de conversações e limitou-se a falar rispidamente: “Fizemos nossa parte, agora é com eles”.