Aos 28 anos, Daiane dos Santos está de volta à seleção brasileira depois de quase três anos afastada. E para quem possa pensar que será difícil ver em ação a mesma atleta que ganhou a prova de solo no Campeonato Mundial em 2003, ela avisa: está melhor. Isso por estar conseguindo treinar e competir sem dor depois de mais de uma década.

A ginasta teve trabalho para lembrar qual foi a última vez que competiu sem desconforto, tal como fez no Troféu Brasil, semana passada. Na competição, garantiu vaga na equipe brasileira que disputará o Mundial, de 7 a 16 de outubro, no Japão, e os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, na sequência. “Puxa, vou ter de pensar. Acho que não estou como agora, sem nenhuma dor… hum… desde 2000”, conta a atleta.

Daiane conta que não para por aí. “O melhor de tudo é que estou com uma amplitude articular (dos joelhos) que há muito tempo eu não tinha (as contusões e cirurgias afetavam a elasticidade). Isso dá uma confiança muito grande na hora de competir”.

O momento, segundo a ginasta, é resultado de um trabalho árduo depois de sua última cirurgia, no tornozelo, em setembro de 2010. “Chegava ao clube às seis da manhã e saía às 7 da noite. Eram de três a quatro sessões de fisioterapia diárias. Pensa que o custo de uma perna nova é fácil?”, brincou.

Com uma atividade tão intensa, a única coisa que conseguiu fazer, fora cuidar do corpo, foi concluir todos os créditos do curso universitário de Educação Física. “Mas ainda faltam os estágios. Estou fazendo aqui no Pinheiros”.

A ginasta quer deixar o episódio do doping em outubro de 2009, por furosemida, para trás e pensar apenas na sua nova coreografia, com um mix de músicas latinas. “Acho que, daquele episódio, aprendi a lição: que atleta tem de se cuidar em período integral e não só durante as competições”.