Rio – A sensibilidade mostrada pelos jogadores da seleção brasileira para os problemas civis no Haiti não contagiou os dirigentes do Milan, que ignoraram o apelo feito por Cafu, Kaká e Dida, vetando suas participações no amistoso de quarta. No sábado, os três ainda tentaram, em vão, ser liberados para se juntarem à delegação, que seguiu ontem à noite para a República Dominicana.

Nomeado porta-voz do grupo, Cafu tentou explicar aos dirigentes a importância social do gesto, além da obrigação de o time italiano cedê-los, por se tratar de um amistoso oficial, realizado em data autorizada pela Fifa. Em respeito aos jogadores, a diretoria do Milan ouviu os apelos, mas, irredutível, disse não à reivindicação. Restou ao capitão do Brasil, consternado, ligar para a comissão técnica, relatar o episódio e pedir desculpas pela ausência.

“Fiquei chateado por não poder defender a seleção”, disse Kaká. “Não só eu, como o Cafu e o Dida gostaríamos de ter participado do evento, mas infelizmente não houve um acordo.”

A impunidade foi a principal arma do Milan para novamente negar jogadores à seleção. Esta é a terceira vez que a CBF assiste passivamente a negativa dos dirigentes italianos em ceder atletas para o time. O gesto já havia sido praticado quando os milaneses se recusaram a liberar Kaká para a disputa do Torneio Pré-Olímpico, e o trio para a Copa América.

Hoje, os demais jogadores que atuam por clubes europeus se apresentam à seleção, em São Domingos, na República Dominicana, onde amanhã a equipe realiza o único treino para o amistoso contra o Haiti, na quarta-feira. Mesmo confirmados, ainda não está descartada a ausência de outros atletas, como os zagueiros Juan e Roque Júnior, já que o Bayer Leverkusen também ameaça não liberá-los.

Contusão

Apesar das dores no músculo adutor da coxa direita, o goleiro Julio Cesar não foi dispensado da seleção. Aparentemente a contusão do jogador, substituído durante a vitória do Flamengo, por 3 a 0, sobre o Grêmio, no sábado, não foi grave.

Outro que confirmou participação no amistoso foi o atacante Adriano, da Internazionale, de Milão. A sua presença estava ameaçada, porque o artilheiro da Copa América ainda se recupera da morte do pai, Almir Ribeiro, ocorrida no início do mês.

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