Não resta muito mais para Schumacher fazer na Fórmula 1. Se o piloto alemão decidisse parar de correr hoje, encerraria sua carreira como recordista de títulos, pontos, vitórias, melhores voltas, pódios, vitórias consecutivas, vitórias numa mesma temporada, pontos num mesmo mundial… E pole positions. Ontem, no Bahrein, o ferrarista igualou a marca que lhe faltava. Chegou a 65 poles, como Ayrton Senna.

Um recorde que perdurou por quase 12 anos. A última vez que o brasileiro fez uma pole foi no dia 30 de abril de 1994, um dia antes do acidente que lhe tirou a vida em Imola. Quando Ayrton bateu na Tamburello, Schumacher ainda não conhecia o gosto de largar na primeira posição do grid. Na primeira prova sem Ayrton, em Mônaco, fez sua primeira pole. Finalmente, chegou lá no meio do deserto de Sakhir.

E se emocionou. Menos do que em 2000, quando igualou Senna no número de vitórias, em Monza. Na ocasião, chorou de forma compulsiva nas entrevistas depois da corrida. Ontem, segurou as lágrimas. Mas não escondeu seus sentimentos. Michael, que em público sempre jurou que não liga para os números, deste falou.

Especial

"Igualei um recorde muito especial. É algo de que me orgulho. Acho que não tenho palavras para descrever o que estou sentindo neste momento", disse. Schumacher se emocionou também porque a Ferrari renasceu. "O que aconteceu com a gente no ano passado machucou muito. E forçou uma reação. É muito difícil reverter uma tendência de queda, mas os problemas que tivemos levaram nossa equipe a se unir ainda mais. É o que faz deste time um lugar muito especial."

Michael disse que não esperava fazer a pole. "Foi uma surpresa maravilhosa", definiu. Ele foi o mais rápido na "superpole", a última parte do novo treino de classificação, inaugurada ontem na categoria. Deixou para trás os favoritos da Honda e da Renault e terá ao seu lado na primeira fila o novo parceiro Felipe Massa, a quem abraçou efusivamente depois da sessão.

Estratégia

Agora que as trocas de pneus voltaram a ser permitidas, um Schumacher largando na pole não é de se desprezar. Naquele que pode ser seu último ano de F-1, as coisas começaram bem para o mais velhos dos pilotos em atividade. Tão bem que, depois de conquistar a posição de honra do grid, abriu um sorriso mais do que maroto, juvenil até. Como se dissesse aos rivais que talvez eles tenham de esperar mais um pouco para se livrar dele.

O GP do Bahrein, prova de abertura do mundial, começa hoje às 8h30 de Brasília e terá 57 voltas.

Reabastece

A FIA esclareceu ontem que os dez carros que participaram da "superpole" podem reabastecer ou não hoje cedo, antes da corrida, quando forem liberados do Parque Fechado. Caso queiram, têm de recolocar exatamente o que gastaram na terceira fase da classificação. Todos devem fazer isso, caso contrário teriam de largar com pouquíssima gasolina no tanque, forçando um pit stop prematuro.

Massa lamenta perda da pole

Foi por 0s047 que Felipe Massa não estreou na Ferrari com uma pole position. De qualquer forma, o brasileiro já conseguiu mostrar serviço logo de cara, colocando seu carro na primeira fila ao lado de Schumacher. Suas melhores posições de largada até ontem haviam sido dois quartos lugares, no Brasil e na China, em 2004, pela Sauber.

"Não vou esquecer este dia nunca. Um resultado como esse, primeira fila logo no meu primeiro GP pela Ferrari, é algo que me deixa orgulhoso, de mim e da equipe. Uma pena que o tráfego na última volta me impediu de melhorar um pouco", falou. Fisichella foi quem Felipe encontrou pela frente em sua volta voadora.

O brasileiro passou com tranqüilidade pelas duas primeiras baterias da classificação, deixando reservadas para a fase da "superpole" duas voltas lançadas. Quando fez seu tempo, 1min31s478 no final da sessão, Michael já havia registrado sua melhor. "Foi por pouco, mas quem sabe da próxima vez", prometeu.

A estréia de Rubens Barrichello na Honda foi mais discreta. Sexto colocado, ele ficou 1s03 atrás de seu companheiro Jenson Button, terceiro no grid. "Meu carro estava saindo muito de frente, mas estou satisfeito. Mesmo com problemas, fiquei em sexto, o que mostra que, quando tudo funcionar bem, vamos ser muito competitivos." (FG)

Formato chega perto do ideal

Sempre tem como melhorar, mas a primeira experiência do novo formato de classificação mostrou que a FIA acertou na fórmula. "É o melhor que já tivemos na F-1 até hoje", elogiou Mario Theissen, diretor da BMW. De fato, houve emoção nas três partes. Na primeira, Raikkonen ajudou. Quando quebrou sua suspensão e o treino teve de ser interrompido, faltavam cinco minutos para o fim e 12 carros ainda não tinham registrado tempos.

Foi uma bagunça generalizada, e a pressão sobre os pilotos foi enorme, pois eles teriam uma única chance de fazer volta lançada, no meio do tráfego, para não serem eliminados. Qualquer errinho seria fatal.

A segunda parte também funcionou. Alguns pilotos, como Barrichello, tiveram de fazer duas tentativas de voltas rápidas para fugir da degola.

A sessão final começou morna, como era de se esperar, porque os carros tinham no tanque a gasolina com a qual pretendiam iniciar o GP. Pesados, ficaram queimando combustível por cerca de dez voltas em ritmo lento. Mas no fim partiram para buscar a pole, com pneus novos e menos peso no tanque. Os cinco minutos finais serão sempre emocionantes. Pode não ser o ideal ainda, mas está perto. (FG)