Saulo espera contar com Athos e Fábio.

O mistério deve ser a tônica do Paraná para o clássico de domingo. Apesar de dar pistas de que utilizará um esquema com três zagueiros, ideal para jogar nos erros do adversário, o técnico Saulo de Freitas já avisou que só divulga a equipe titular meia hora antes do jogo.

O motivo não é exclusivamente tentar surpreender o Rubro-Negro. Na primeiras movimentações da semana, o treinador escalou os recém-contratados Athos e Fábio na equipe titular. Entretanto, os dois ainda não tiveram a situação regularizada na Federação Paranaense de Futebol (FPF). O meia Athos veio do Nacional-AM e o atacante Fábio, a grande esperança de gols do time, do Mariscal Braw, da Bolívia. “Eu acredito que a documentação fique pronta a tempo de estrear no clássico. Estou treinando bem e espero poder entrar em campo”, afirmou Fábio, que foi indicado por Cuca, técnico do São Paulo.

Se Fábio for liberado, o provável é que ele estreie jogando ao lado do meia-atacante Éverton, que deve, mais uma vez, ser improvisado no ataque pelo menos foi o que se viu ontem, no coletivo realizado ontem à tarde, na Vila Capanema. Éverton, apesar dos 21 anos, é considerado hoje um jogador experiente. Ele foi lançado no ano passado, na partida decisiva contra o Rio Branco, em Paranaguá e sentiu na pele a crise. Naquele jogo, ele atuou como lateral-direito. “Não foi nada fácil. Como nos recuperamos no brasileirão, ninguém imaginava que voltaríamos a viver esse pesadelo no estadual. O único consolo é que já estamos mais experientes para esse tipo de situação”, diz.

No brasileirão de 2003, ele entrou no decorrer de alguns jogos, sob o comando de Saulo de Freitas. Mas esse ano, Éverton carrega o peso de ser uma das grandes esperanças do time apesar de não ter rendido o tanto que pode nos últimos jogos. Com a debandada de jogadores como Caio, Renaldo e Fernando Miguel, a diretoria teve que remontar o time. E foi justamente isso, na opinião de Éverton, que deixou o time nessa situação. “Houve pouco tempo para contratar e menos ainda para entrosar o time. Mas agora não tem mais papo. A solução é cada um dar tudo de si e vencer. Sem uma vitória, já no clássico, a situação ficará muito grave”.

De renegado a titular

O técnico Saulo de Freitas iniciou os treinamentos da semana mantendo o esquema tático 3-5-2, que deve ser utilizado no clássico de domingo, contra o Atlético, na Arena da Baixada. E, curiosamente, a sua opção na ala-esquerda será ninguém menos que o prata-da-casa Anderson, que na semana passada havia sido dispensado pela diretoria. Na segunda-feira, ele foi reintegrado ao elenco.

“Não fiquei surpreso por voltar, mas sim por sair do elenco. Estava treinando bem, esperando uma oportunidade e acabei afastado. Eles me disseram que não seria aproveitado no grupo”, afirmou o jogador. Mas a sorte do jogador começou a mudar quando comissão técnica e diretoria decidiram que Marcos Lucas, o então lateral-esquerdo titular do time, não estava rendendo o esperado. Sem outra opção, voltaram atrás na decisão e convocaram Anderson, que encarou com naturalidade o retorno e ainda mais animado com a possibilidade real de vestir, pela primeira vez, a camisa titular do Paraná Clube. E justamente em um clássico, contra o Atlético. “O mundo dá voltas e agora devo ter a oportunidade que espero há muito tempo. O Fernando Lombardi, o Willian e o Éverton tiveram as chances deles e souberam aproveitar. Tendo a minha, vou fazer o mesmo”, diz animado, mesmo ciente da responsabilidade de entrar no time em uma situação periclitante o Paraná é vice-lanterna do estadual. “Dá ainda mais vontade de jogar.”

No ano passado, quando ainda tinha idade de jogar nos juniores, Anderson chegou a treinar, durante o paranaense, na equipe principal. Apesar de não ter tido chance de jogar, garante que a experiência serviu para sentir o ambiente de um time sob pressão em 2003, o Paraná só se livrou do rebaixamento na última rodada. “Foi tudo muito difícil, mas serviu de aprendizado. Hoje nós, os jogadores mais jovens, já sabemos como nos comportar em um momento de crise. E isso certamente nos ajudará a emergir vitoriosos”, disse.

Após o estadual do ano passado, Anderson, que está no Tricolor há 3 anos, voltou às categorias de base e acabou se tornando o vice-artilheiro da Copa Tribuna, revelando uma ótima capacidade de finalização – o que o Paraná precisa, e muito, neste momento. Afinal, o time ainda não marcou na competição. “Gosto de jogar como ala e subo constantemente ao ataque. Quando surge oportunidade, arremato pro gol.”

O fato de Anderson se sentir confortável jogando como ala pode ter pesado na decisão da diretoria em reconduzi-lo ao elenco. Como na partida contra o Malutrom o Tricolor já jogou com três zagueiros, o ideal é ter alas que apóiem o máximo possível, justamente para solucionar o problema ofensivo paranista: a falta de bolas alçadas na área. “Sou bom no apoio e nas jogadas de linha de fundo. Se eu jogar, vou calibrar o pé para criar o maior número de oportunidades possíveis.”