O paulista Flávio Saretta conseguiu ontem talvez o melhor resultado de sua carreira ao bater na segunda rodada de Roland Garros o russo Yevgeny Kafelnikov, parciais de 6/4, 3/6, 6/0, 6/7 (0-7) e 6/4. Saretta e Kafelnikov travaram uma batalha de 3h55 no saibro da Quadra Central do complexo parisiense, com lances de muita emoção. Agora, Saretta encara amanhã o espanhol Galo Blanco, que eliminou o argentino Mariano Puerta também ontem. Será a primeira vez que os dois irão se enfrentar.

A partida teve contornos dramáticos para Saretta, que jogou sentindo dores no quadril, pediu atendimento médico e teve de lutar muito para derrotar o experiente Kafelnikov, que abusou de “deixadinhas” para cansar o tenista de Americana.

Atual 78.º colocado no Ranking de Entradas, segundo melhor tenista brasileiro, Saretta poderia ter decidido o jogo ainda no quarto set, quando teve match point no momento em que o russo sacou em 4/5. Não conseguiu e o set foi para o tie-break, quando Kafelnikov marcou 7/0. A impressão era de que Saretta não agüentaria o cansaço físico e mental de um quinto set, mas ele mostrou uma garra incrível, vibrando como nunca nos pontos e fechou a partida.

“Tive problemas na partida, com dores, que já vinham me incomodando nos treinamentos também. Já tinha tido atendimento médico e não podia pedir novamente. Então, tive de me superar, com muita garra. Vencer um jogador como Kafelnikov, que tem história no torneio, em que já foi campeão, foi muito importante para mim”, comentou Saretta em entrevista à TV francesa.

Essa pode ter sido a última participação de Kafelnikov em Roland Garros, onde foi campeão em 1996. Atual 18.º do ranking, ele já tinha anunciado que poderia encerrar a carreira em 2002, mas resolveu seguir no circuito. O russo já foi número 1 do mundo, ganhou medalha de ouro em Sydney/2000 e tem mais de 20 títulos na carreira, sem contar os cerca de Us$ 20 milhões que faturou em prêmios.

Show e história na quadra central

No mais glorioso dia de sua carreira, Flávio Saretta deu um show na sua estréia na quadra central de Roland Garros. Fez história ao derrubar Yevgeny Kafelnikov.

Agência Estado – Como você define esta vitória?

Flávio Saretta – É, sem dúvida, a mais importante da minha carreira. Um dia inesquecível. Joguei sentindo dores, mas não podia deixar a quadra com uma derrota. Foi um jogo em que deixei meu coração na quadra e vou rever esta partida muitas e muitas vezes.

AE – Acha que com esta vitória subiu um degrau na sua carreira?

Saretta – Há muito tempo que venho me dedicando muito ao tênis de uma forma bem mais profissional. Tenho levado com seriedade a minha carreira. Amadureci.

AE – Não há como evitar as comparações com Guga. Como você vê este fato?

Saretta – Para mim o Guga é uma fonte de inspiração. É claro que não joguei como ele, mas lutei como nunca e fiquei muito feliz com a vitória.

Guga pega o “artista” Arazi às 9h30

O primeiro set da partida contra o suíço Marc Rosset servirá de espelho para Gustavo Kuerten na briga por um lugar na terceira rodada de Roland Garros. Tentando repetir a boa atuação que o levou à vitória por 3 a 1, o brasileiro enfrenta hoje o marroquino Hicham Arazi, 91.º colocado no ranking de entradas e 68.º na Corrida.

A partida é a terceira da quadra Suzanne Lenglen e começa por volta de 9h30 (de Brasília). Em parceria com o UOL Esportes, o site tenisbr@sil acompanha a partida ao vivo, por meio de um moderno placar interativo.

Guga já enfrentou Arazi em seis oportunidades e levou a melhor em cinco. Ainda assim, o marroquino é considerado um adversário perigoso, sobretudo pela habilidade com a canhota. Aos 29 anos, o tenista, natural de Casablanca, possui apenas um título de simples, obtido em 97 na cidade onde nasceu, mas foi vice no Masters de Monte Carlo de 2001, perdendo justamente para Guga na final.

Neste ano, Arazi vem lutando contra problemas físicos e disputou apenas seis torneios. Mostrou do que é capaz ao derrotar o russo Yevgeny Kafelnikov na segunda rodada de Dubai e ao alcançar a semi em Casablanca. Em Paris, ele disputa seu primeiro evento desde o final de abril, quando abandonou na estréia de Barcelona, por causa de uma lesão.

“Tenho que tentar manter o nível que apresentei no primeiro set contra o Rosset. Isso é a base para eu ter um bom torneio aqui e jogar bem”, analisa o brasileiro. “Vou precisar ter muita tranqüilidade e paciência. O Arazi é um cara que tem muita habilidade, sabe jogar e normalmente tem bons resultados em Roland Garros”, emenda.

Embora costumeiramente tenha a torcida francesa a seu lado, Guga se mostra preocupado também com a arquibancada. “Vou ter que estar preparado para uma partida com muito ambiente, boa atmosfera, porque os marroquinos sempre comparecem em massa aqui e fazem muito barulho”, comenta.

“Pelo menos, vou poder desfrutar um pouco mais. Não vou enfrentar um cara que vai me dar aces ou pauladas de saque como o Rosset. Vou poder jogar um pouco mais da minha maneira”, afirma o brasileiro, que possui um recorde de 30 vitórias em 34 partidas no saibro de Roland Garros.