São Paulo – Duas derrotas seguidas em campo, para os dois primeiros colocados do Brasileiro, e uma na Justiça Desportiva, no julgamento da semana passada, pela morte de Serginho, derrubaram o São Caetano ao 16.º lugar, longe da briga por vaga na Libertadores. Amanhã, o clube tenta reaver os 24 pontos tirados pelo STJD. Se conseguir, entra na última rodada um ponto atrás do Palmeiras e volta a sonhar com o torneio continental. A estratégia, no tapetão, será a mesma que fracassou na última semana.

"A essência da defesa será a mesma da primeira instância", diz o advogado do clube na esfera desportiva, João Zanforlin. O São Caetano alega que não existe fundamento para punir a equipe, pois um problema de saúde não é um dos casos previstos como inscrição de jogador irregular pela CBF. "Vamos em cima da legislação. Não existe isso no futebol. A CBF quer incluir nos próximos regulamentos, mas agora não existe", afirma o advogado. Além disso, o clube alega inocência porque não sabia do problema ao inscrever o jogador no campeonato. "Quando o clube atestou (que Serginho estava apto), ele não tinha nada ainda", diz Zanforlin.

Na semana passada, em primeira instância, o STJD considerou o clube culpado pela morte do zagueiro e o puniu com a perda de 24 pontos e multa no valor de R$ 50 mil. Além disso, o presidente do São Caetano, Nairo Ferreira de Souza, foi suspenso por 1.440 dias e o médico, Paulo Forte, por 720. No recurso, o clube pede absolvição total e a retirada das quatro punições. Ontem, Zanforlin não adiantou se recorrerá à Justiça comum em caso de nova derrota. "A diretoria acredita no sucesso do recurso e não quer entrar na Justiça comum."

O técnico do São Caetano, Péricles Chamusca, diz que o impacto psicológico do julgamento derrubou seus jogadores. "Não tivemos força suficiente para nos recuperar do golpe do Tribunal", afirmou. Após perder para o Atlético-PR por 5 a 2 no domingo retrasado e sofrer a punição no dia seguinte, o time teve seis dias para se reerguer, mas, no último domingo, pegou o Santos e caiu novamente, por 3 a 0. Chamusca, porém, ainda sonha com a absolvição e a Libertadores. "É claro que resta uma esperança, mas é complicado falar sobre isso. Deixo a cargo dos nossos advogados." Na última rodada, domingo, o clube enfrenta o Atlético-MG, fora de casa.

Além do processo na Justiça Desportiva, o São Caetano responderá em breve a uma ação na Justiça comum pela morte de Serginho. O Ministério Público Estadual considerou encerrados os depoimentos necessários ao inquérito e aguarda um parecer de médicos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para deflagrar denúncia contra os responsáveis pela atuação do jogador.