Trocar o almoço pela janta. Contar com o apoio e a dedicação fundamentais de parentes. Perder. Ganhar. Não desistir. Persistir. Lutar. Aproveitar a chance. Vencer. Esse roteiro é muito comum na vida de muitos jogadores de futebol. No caso do goleiro Santos, titular do Atlético no Campeonato Brasileiro, não é diferente. Natural de Campina Grande, na Paraíba, o jogador chega ao seu melhor momento no Furacão ao desbancar Weverton na disputa pela camisa 1. O caminho até aqui, do Porto de Caruaru ao CT do Caju, não foi fácil.

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“Foi sofrido até demais. Tinha dias que tínhamos o que comer, tinha dias que não. Às vezes os irmãos ajudavam, o padrinho dele pagava um ‘passe’. Às vezes tinha dias que ele vinha só até o meio do caminho. O dinheiro não dava pra chegar em casa. Foi bastante sofrido, mas graças a Deus ele está vencendo na vida. Era é complicado, mas escapamos”, ri Severino João dos Santos, pai do goleiro atleticano.

A oportunidade do último domingo foi muito comemorada pela família. Parentes e vizinhos se reuniram na casa “dos Santos” para ver o jogo pela internet. “Toda a turma aqui de Cabaceiras (Paraíba) ficou muito satisfeita. Para mim é um sonho realizado”, completou. Aos 65 anos, Severino orgulha-se, embora reconheça as dificuldades, de ter criado a família de oito filhos com a esposa Mara. Desde cedo via o moleque Aderbar (nome de batismo do goleiro Santos) brincando com os primos e sonhando em ser goleiro.

A saudade às vezes aperta, mas as dificuldades financeiras tornam a convivência mais próxima bem difícil. “Ficamos bastante tempo sem ver ele. Ele veio no final do ano aqui em casa e foi a última vez que vimos ele. Também vemos quando passa na TV. Na Libertadores mostrava o banco de reservas e assim podíamos ver ele. E mais nada”.

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