Rio

– Um dia após o “recomeço” de sua carreira, o artilheiro Romário, do Fluminense, afirmou que está longe de pensar em aposentadoria e, muito à vontade, na casa de sua mãe, Dona Lita, em Jacarepaguá, zona oeste, falou de seleção brasileira, do novo clube, do futebol paulista, da carreira, das tristezas, alegrias e até de Deus. Aos descrentes sobre seus próximos passos em campo, o atacante disse que enquanto estiver sentindo vontade e com condicionamento físico para atuar não vai abandonar o futebol.

“O engraçado é que o tempo passa e meu desejo de jogar futebol aumenta”, frisou Romário, aos 36 anos. “E, toda vez que acordo, tenho mais desejo ainda de atuar. Por isso, vejo dificuldades em parar. Mas, uma hora vou chegar e dizer: agora vou parar e encerrarei minha carreira, sem problemas.” Romário citou como exemplo sua estréia deste domingo para justificar que ainda pode ter bons desempenhos como atleta. O jogador lembrou que estava há três meses sem atuar, não tinha boas condições físicas, tanto que cansou aos 25 minutos do segundo tempo, mas conseguiu fazer uma bela partida.

A seleção brasileira ainda é um motivo de tristeza para Romário. O artilheiro contou ter se lamentado durante a Copa do Mundo de 2002, por não estar no grupo que conquistou o pentacampeonato para o Brasil. No entanto, afirmou que o título de tetracampeão, obtido na Copa de 1994, no Estados Unidos é a maior alegria de sua carreira. Felicidade que supera todas as tristezas vividas no futebol: como os dois cortes sofridos na Copa do Mundo (1998 e 2002) e nos Jogos Olímpicos (1996 e 2000).

“Deus não quis que eu estivesse lá. Mas, quando nasci, Ele apontou o dedo para mim e disse: esse é o cara”, ponderou Romário. “Tenho três filhos saudáveis, família, amigos e uma carreira brilhante, não posso me lamentar.” A saída do técnico Luiz Felipe Scolari do cargo de treinador da seleção animou Romário. De acordo com o artilheiro, a saída de Scolari facilita a sua volta. Voltou a citar os nomes dos técnicos do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo; do São Paulo, Oswaldo de Oliveira; do Santos, Leão; do Flamengo, Lula Pereira e do Vitória, Joel Santana para ocupar o lugar vago.

Como novidade, Romário lançou o nome do auxiliar-técnico do Palmeiras, Paulo César Gusmão, com quem trabalhou no Vasco, para o cargo de treinador da seleção olímpica. Mas, irônico, brincou e disse que todos os profissionais citados podem perder as esperanças, já que a CBF sempre faz o contrário do que ele diz.

Enquanto não volta para a seleção, Romário disse só pensar no Fluminense e, já que não vai parar de atuar nos próximos anos, não descartou a possibilidade de ainda jogar no futebol paulista. Considerou que todo atleta vitorioso costuma ter um time de São Paulo no currículo.

Acompanhado pelos três filhos, Romarinho, Moniquinha e Danielle, que ontem completou cinco anos, Romário agradeceu o apoio da torcida tricolor e reafirmou sua vontade de superar recordes, como chegar ao milésimo gol da carreira – tem 843. Sobre o próximo adversário, o São Caetano, amanhã, ele lembrou as dificuldades que o Fluminense vai enfrentar, mas pediu a mesma dedicação e vibração demonstradas na goleada de domingo sobre o Cruzeiro, por 5 a 1, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, no Maracanã.