Barcelona (AG) – Vestido com um chapéu e a camisa do armador Tony Parker, do San Antonio Spurs, um rapaz cabeludo toca pandeiro com uma habilidade que revela sua nacionalidade. A sua volta, brasileiros e espanhóis cantam com intimidade o samba que diz que domingo eles vão ao Maracanã torcer para o time de que são fãs. Só que ninguém ali vai ao maior estádio do mundo no domingo. Eles estão em Barcelona e o líder do grupo de pagode pode também ser considerado o rei de toda aquela gente.

O bar "Pasión Brasil", na praia de Castelldefels, é o único lugar fora de sua casa em que Ronaldinho Gaúcho pode aparecer sem receber o assédio insano dos catalães. Ali, o brasileiro que desde a última segunda-feira é o melhor jogador de futebol do planeta pode mostrar que a fama e o dinheiro não lhe tiraram a capacidade de se divertir no meio do povo, como qualquer mortal. Naquele noite, o "mago del balón", como é chamado na Espanha, cantou e tocou pandeiro ou tantam por pelo menos três horas seguidas sem levantar-se da cadeira. Nem para ir ao banheiro.

? Sou como todos me vêem. Minha vida é uma festa. Não deixo de fazer nada do que gosto por causa da fama ? afirma Ronaldinho, ainda com o sotaque gaúcho.

Esse craque talvez ainda não tenha se dado conta de que seu status em Barcelona vai além de ser ou não famoso. Alguns dias nessa magnífica cidade são suficientes para descobrir que o brasileiro deixou de ser um ídolo apenas para simbolizar o espírito de um povo que tem tanto orgulho de ser catalão quanto de ser torcedor do Barça. A impressão é de que Ronaldinho personifica um tipo de futebol e de carisma que, achava-se, estava extinto ou, no mínimo, parecia possível apenas entre os galácticos do rival Real Madrid.

? Trouxemos o Ronaldinho para ser uma referência para o nosso clube. Ele representa o sonho dos barcelonistas, que exigem espetáculo além de vitórias. Para completar, tem um estilo especial, de quem gosta de estar perto das pessoas ? derrete-se o presidente do Barcelona, Joan Laporta.

O time do Barcelona também ficou bem melhor depois que esse gaúcho dentuço, de 24 anos, veio morar aqui, ano passado, deixando para trás um sucesso mais comedido no Paris Saint-German e propostas de todas as partes da Europa.

? Ele é forte e habilidoso. Quando está com a bola, não se sabe o que passa por sua cabeça ? elogia o italiano Paolo Maldini, do Milan, uma legenda do futebol europeu que se tornou coadjuvante do brasileiro no lançamento das suas novas chuteiras, em dezembro, em Barcelona.

Em Barcelona, fala-se da agitada vida amorosa do jogador. Não nega que tem se divertido, mas recusa-se a entrar em detalhes.

Só posso dizer que está bem do jeito que está. Sou um feio simpático e cheiroso. Somando tudo isso, fico um cara bonitinho ? brinca, soltando uma gargalhada.