São Paulo – Pressionado por quatro jogos sem vitórias, pela queda da liderança para o 4.º lugar do Brasileiro e, principalmente, pelos fortes rumores de que perderá o emprego, Márcio Bittencourt resolveu ousar no clássico de amanhã, às 16h, diante do São Paulo, no Morumbi. Apostará na versão corintiana do ?quadrado mágico? da seleção, trocando um volante por um atacante. Em vez de Kaká, Ronaldo, Robinho e Adriano, vai de Roger, Nilmar, Tevez e Jô.

?Nós nos movimentamos bem. Cada um, além de atacar, se preocupou em defender quando estava sem a bola. Criamos várias jogadas ofensivas. Acho que poderemos dar certo jogando juntos. Somos muito técnicos?, avaliou Nilmar.

No coletivo de ontem foi fácil perceber que o ?quadrado mágico? tinha dois momentos distintos. De posse da bola, o time se mostrava mais leve e criativo. Nilmar é inteligente e sabe se movimentar bem entre os marcadores rivais. O problema acontecia quando perdia a bola. Havia espaço demais para os reservas.

?Se vamos jogar nessa formação, precisamos ter o máximo de cuidado para não ficarmos vulneráveis.

O São Paulo tem ótimo ataque?, alertou Betão.

Para que o quadrado mágico tenha mais tranqüilidade quando o Corinthians estiver sendo atacado, Márcio acabou travando os laterais. Eduardo e Ronny foram proibidos de apoiar.

Embora todos desmintam, há um clima tenso para o jogo. Ninguém no Corinthians esqueceu da goleada sofrida no primeiro turno por 5 a 1, que custou a demissão de Daniel Passarella. Márcio era auxiliar e viu o vexame. ?Vamos tentar separar as coisas, não dá para ficar falando em revanche. Aquela derrota foi histórica, mexeu com o grupo, mas o time reagiu, tanto que ficou na liderança do Brasileiro por várias rodadas?, desconversou Betão.

A boa notícia foi a recuperação de Tevez. Ele voltou de Buenos Aires e participou normalmente do coletivo. Estava livre das dores na perna direita. Em compensação, Fabrício sentiu tendinite na perna direita e está fora. Marcelo Mattos, com dores musculares, é problema. Na parte política, o presidente Alberto Dualib disse a conselheiros que voltará a Londres para se encontrar com Boris Berezovski.

Amoroso esnoba e diz que não vê magia nenhuma

São Paulo – Tevez, Roger, Nilmar e Jô podem ser chamados de ?quarteto mágico? pelo técnico do Corinthians, mas não assustam Amoroso, que vai se encontrar com eles no clássico de amanhã no Morumbi. ?Quarteto mágico? Eles têm de comer é muito feijão com arroz para chegarem nesse ponto. O Jô é novo. O Nilmar? Promissor.

O Tevez é um típico jogador argentino. O Roger é bom, mas nós estamos prontos para ganhar deles?, avisou o atacante do São Paulo.

Para Amoroso, o clássico marcará o encontro de um time chamado de ?galáctico? (Corinthians) e outro (São Paulo) cuja marca é a união. ?Nós preferimos ter jogadores do mesmo nível do que dependermos de galácticos?, cutucou Amoroso, que não aceita ser classificado como fora de série.

?Não sou ?galáctico? como eles. Não gosto de aparecer, não vou em festa, não sou de badalar. Gosto que meus companheiros me vejam como alguém que se esforça na marcação, do que um ?mala? que só quer brigar e reclamar. Sou um jogador de 31 anos com vontade de um com 19. Aqui, todo mundo é assim. Um time unido, sem medo.?

Na avaliação de Amoroso, há um desnível muito grande entre os setores do time corintiano. Um ataque cheio de nomes famosos e uma defesa inexperiente. ?Não dá para negar que a defesa do Corinthians deixa a desejar. Nosso treinador já nos mostrou isso nos treinamentos. Estamos preparando um meio de ganhar deles. É lógico que eu não vou contar…?

O Morumbi é o campo do São Paulo e Amoroso espera que isso faça diferença na partida de amanhã. ?É a nossa casa. Vamos mostrar isso a eles. Temos de ganhar esse jogo para dar uma deslanchada no Brasileiro. O time deles é bom, o ataque é rápido, mas estamos nos preparando para a vitória?, avisou o atacante. ?Tem muito time que ganha jogando feio. Nós gostamos de bom futebol, mas, se for preciso, vai ter até chute de bico para garantir os três pontos.?

A pressão sobre Márcio Bittencourt é grande no Parque São Jorge, mas possibilidade de derrubar o terceiro treinador corintiano no ano não conta muito para Amoroso. ?Nenhum técnico cai por apenas uma partida. Quando é demitido é porque as coisas já vão mal. Eu quero vencer para continuar colocando feijão lá em casa.

Se ele cair, paciência, dó eu não tenho, só entro em campo pensando no meu trabalho e não em derrubar técnico adversário?, explicou.

Com uma carreira construída na Europa, com passagens por Itália, Alemanha e Espanha, Amoroso jogou poucos clássicos brasileiros. Por isso, talvez, esteja ansioso pela partida de amanhã.

?Jogar pelo São Paulo contra o Corinthians é mesma coisa que jogar contra a Argentina pela seleção brasileira ou seja: uma sensação maravilhosa. Por isso é tão importante vencer. Além do mais, uma vitória assim dá novo alento para o resto do campeonato.?