Sonho da fã na porta do hotel.

Que atleta em atividade no futebol brasileiro ainda é capaz de atrair multidões só para vê-lo jogar? A resposta não exige esforço de memória: Robinho, do Santos, reina sozinho nestes tempos de êxodo constante de estrelas para o exterior. Ontem, Curitiba provou um pouco do furor causado pela passagem do astro. O hotel onde o Santos se concentrou, na Rua Visconde de Nácar, virou ponto de encontro de fãs ávidos por um instante com o ídolo. ?Grêmio, Flamengo e Goiás sempre se hospedam aqui, mas nenhum atrai tanta gente como o Santos. Acho que é por causa do Robinho?, contou o porteiro Edson Gonçalves.

A impressão do funcionário é facilmente confirmada com os torcedores. Exposto intensamente na mídia, Robinho ganhou fãs como o pequeno Gustavo, 3 anos. Do colo dos pais, o menino esperou impaciente para ver o ídolo, cujo nome trazia grafado a caneta no rosto. ?Quando ele vê o Robinho na TV, fica todo empolgado. Queria conhecê-lo pessoalmente de qualquer jeito?, contou o pai Fabiano Rodrigues, 23 anos, santista que mora no Pinheirinho. Como lembrança, o menino recebeu autógrafo do ídolo na camiseta do clube, dado no curtíssimo trajeto entre a porta do hotel e o ônibus que levou a delegação ao Couto Pereira. Segundo a mãe, Greicy Kelly, o ?troféu? vai virar um quadro.

Já o torcedor Luciano Theis, 30 anos, percorreu mais de 100 quilômetros e veio de Ponta Grossa para ver o Santos, acompanhado dos primos Roberto, 18, e Rômulo, 13. Um esforço que talvez fosse descartado se o ídolo não estivesse em campo. ?A saída de Robinho seria uma perda não só para o Santos, mas para o futebol brasileiro. Com ele em campo, é espetáculo na certa?, disse o torcedor, referindo-se à possível negociação do jogador com o Real Madrid.

Se fora de campo o assédio a Robinho é intenso, dentro dele a situação piora. Contra o Coritiba, o astro foi vigiado incansavelmente por Márcio Egídio, que exerceu marcação firme, porém leal -o coxa-branca cometeu apenas uma falta no camisa 7 santista.

Mas contra um jogador como este, um segundo de descuido é fatal. Pouco depois de criar boa jogada pelo meio e chutar fraco, Robinho apareceu livre na área e aproveitou de cabeça um cruzamento de Ricardinho, aos 46 do primeiro tempo. Resultado: terceiro gol do Santos, sacramentando uma reação fulminante.

Apesar do gol, Robinho não vivia jornada das mais inspiradas e chegou a errar alguns passes. Aos 14 do segundo tempo, logo depois do segundo gol coxa-branca, o técnico Gallo substituiu Robinho por Zé Elias. Ouviu algumas vaias da torcida santista – ?castigo? por abdicar da última grande estrela do futebol brasileiro.