Pelo menos momentaneamente, a suposta crise entre Rivaldo e Paulo César Carpegiani acabou em pizza. Ameaçado de demissão, o treinador se reapresentou normalmente no CT da Barra Funda nesta segunda-feira e segue no comando do time. O pentacampeão também continua no clube, mas com uma multa de 10% sobre seu salário.

Rivaldo e Carpegiani estiveram reunidos no começo da tarde desta segunda-feira com o presidente do São Paulo Juvenal Juvêncio antes do treinamento da equipe. Os dois teriam se desculpado mutuamente e seguem no clube. Depois, em entrevista coletiva, o treinador negou que tenha se sentido ofendido pelo meia.

“Não quero ninguém incomodado aqui. Ele não ofendeu em nenhum momento, e esse lado não foi o mais importante. Questionado por vocês (jornalistas) ele fez a colocação falando que, com todo o respeito, queria assumir aquela responsabilidade, isentando os meninos. Isso que gera uma certa insegurança dentro do grupo, e isso passa a ser um problema meu”, explicou Carpegiani.

O treinador negou que tenha pedido para que Rivaldo fosse multado pelas declarações públicas ao fim do jogo contra o Avaí, mas garantiu que a direção tomaria uma decisão a respeito do que aconteceu no vestiário, internamente. Ele também se desculpou com Rivaldo por ter sugerido uma falta de caráter do meia: “Talvez eu tenha me excedido”.

Já Rivaldo, que também concedeu entrevista coletiva, negou que tenha se arrependido de algo. “E se caso magoei, peço desculpas, tudo que falei foi bem pensado, não quis desmerecer o treinador e muito menos o São Paulo”, disse o jogador, indicando ainda que conversará com Juvêncio a respeito da punição recebida. “Teve essa conversa de multa. Vou conversar com o presidente sobre essa multa. Eu praticamente não fiz nada. Eu estava com vontade de jogar. Não ofendi ninguém”, ponderou.

Carpegiani garante que não teme por uma demissão. “Tenho confiança no meu trabalho. Sei que não adianta apenas vitórias no futebol. Títulos que contam. Perdemos uma competição importante. Estou ciente disso. Tenho o controle do grupo e foi o primeiro momento de crise em sete meses de clube”, ressaltou o treinador.

Pesou favoravelmente à permanência de Carpegiani a multa de R$ 1 milhão que o São Paulo teria que pagar se rompesse o contrato com o gaúcho. Além disso, o clube percebeu que encontraria dificuldades se fosse ao mercado atrás de um treinador. Dorival Júnior, atualmente no Atlético-MG, por exemplo, tem multa de R$ 2 milhões.