Casa cheia mostra o amor
parnanguara pela boa.

O Rio Branco de Paranaguá comemora uma data especial hoje, dia 13 de outubro. O clube completa 90 anos, com a glória de ser o segundo clube de futebol mais antigo do Paraná – o mais antigo é o Coritiba, que ontem completou 94 anos.

A história do Rio Branco começou em um conversa informal entre um grupo de amigos. Manuel Victor da Costa, Aníbal José de Lima, Euclides de Oliveira, José de Oliveira, Jarbas Ney Chichorro e Antônio Gomes de Miranda, apreciadores do futebol, conversavam quando Raul da Costa Pinto passou pela rua. Os jovens o colocaram a par do teor do bate-papo e ele aprovou a idéia da criação de um clube de desporto.

No dia seguinte – 13 de outubro de 1913 – em uma reunião na casa da tradicional família Lima, foi definida a fundação de um clube que se dedicaria exclusivamente à prática do futebol, após a argumentação segura de Jarbas Nery Chichorro. No mesmo dia, foi definido o nome Rio Branco – em homenagem a José Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco, personagem da história do Brasil que resolveu inúmeras questões de países da América do Sul e da Europa. A diretoria foi constituída por Manuel Victor da Costa, Antônio Gomes de Miranda, Jarbas Marques Nery Chichorro, José de Oliveira, Euclides de Oliveira, Antônio Ferrer da Rosa e Raul da Costa Pinto. Raul da Costa Pinto lavrou a ata no dia 13 e no dia 17, o jornal Diário do Commércio publicou a constituição do novo clube.

Como acontecia no início do século, os próprios dirigentes entravam em campo e a primeira equipe do Rio Branco tinha Jarbas, Nenê e Miranda; Lucídio, Elias e Hugo; Luís, José, Mathias, Neco e Nagib. Inicialmente, os atletas treinavam com os jogadores do Paranaguá, time já extinto.

Estréia

O primeiro jogo oficial do Rio Branco aconteceu no dia 23 de novembro de 1913, no ground do Campo Grande, na Praça Pires Pardinho. O confronto foi contra o Brasil, outra equipe de Paranaguá que se perdeu na história. Todos comentavam da provável goleada que o alvi-rubro sofreria, mas o revés não foi tão grande! O primeiro jogo foi perdido por 2 x 0 e o segundo, disputado pelas segundas equipes, por 1 a 0.

No ano seguinte, no dia 6 de janeiro, o Rio Branco jogou a primeira partida intermunicipal e venceu por 2 a 1 o América, em partida disputada mais uma vez em Campo Grande. O destaque do jogo foi Quinquim, que marcou os dois gols do time parnanguara. Durante a semana, não se falou em outra coisa em Paranaguá. Dias depois, empolgados com o crescimento do time, os associados – já eram 50 – procuraram o prefeito Caetano Munhoz da Rocha e adquiriram um terreno, onde hoje se localiza a Praça João Gualberto. A inauguração do campo aconteceu em novo confronto contra o América, e a garra mostrada na vitória por 2 a 1 enlouqueceu a torcida, que começava um caso de amor com o clube, que se estende até hoje, passando de geração a geração.

A alegria de ter uma “casa”, entretanto, durou pouco. Com a criação da Escola Normal, o Rio Branco teve que se mudar para um novo campo, situado na estrada das colônias – a Estradinha, hoje Alameda Coronel Elísio Pereira, onde fica o estádio do clube atualmente. O nome Nélson Medrado Dias é uma homenagem ao idealizador do projeto de construção do estádio, que deu o pontapé inicial na obra em 1924 e foi inaugurado em 1927.

“Leão” desde o 1.º campeonato

Em 1915, o Rio Branco Sport Club foi convidado para fazer parte da Liga Sportiva, formada essencialmente por equipes da capital. A liga organizou o 1.º campeonato oficial realizado no Paraná. Com jogadores contundidos, o Rio Branco não participou dos últimos jogos. Mas a bravura com a qual os rio-branquistas defendiam a camisa do clube rendeu ao time o apelido de Leão, mantido até hoje.

No mesmo ano, o jornal Diário do Commércio instituiu um concurso para saber qual era o clube mais simpático de Paranaguá. O Rio Branco ganhou disparado, com 5.297 votos, contra 1.778 do vice Santa Cruz. No ano seguinte, entretanto, a liga se desfez e o Rio Branco passou a disputar partidas com equipes de uma liga de equipes do litoral.

Retorno

Demorou, mas o Rio branco conseguiu voltar ao futebol profissional do Paraná. Em 1956, após várias tentativas frustradas de participar da divisão especial de futebol do Paraná, os clubes profissionais do estado do Paraná aprovaram a entrada do time parnanguara na disputa do campeonato promovido pela Federação Paranaense de Futebol.

A estréia no campeonato paranaense foi em Curitiba, contra o extinto Água Verde e o Rio branco venceu de virada por 3 a 2. A primeira participação no campeonato paranaense foi boa, especialmente no segundo turno, quando o time litorâneo ficou em quarto lugar. As partidas disputadas na Estradinha terminavam quase sempre com goleada a favor dos donos da casa. No final, o Rio Branco ficou em 6.º, com muita festa da calorosa torcida.

Queda

Dez anos depois da ascensão, o Rio branco caiu para a segunda divisão paranaense, em função da mudança do regulamento. A partir de 1966, houve a unificação das chaves norte e sul, o que garantiu a permanência na elite das equipes classificadas até o 6.º lugar. Como o Rio branco foi 8.º, teve que se contentar em disputar a segundona, na qual permaneceu até 1971. Em 70, a equipe parnanguara fez bela campanha e terminou em 2.º lugar, garantindo o breve acesso à primeira divisão, onde permaneceu até 1980. Com novas mudanças no descenso e uma campanha irregular da equipe, mais uma vez o Rio Branco caiu para a Segunda divisão estadual, de onde saiu apenas em 89. Deste ano até 93, a equipe optou por não disputar competições profissionais. Mas em 93, abnegados dirigentes, comandados por Mário Marcondes Lobo Filho, lutaram contra as dificuldades da segundona, como falta de incentivo financeiro e descrença da torcida. O objetivo de levar o clube para a primeira divisão se cumpriu em 95, quando o clube parnanguara foi campeão da Segundona. A partir deste ano, a equipe passou a disputar com os grandes da capital, na elite do Paraná. Em 2000, o Rio Branco teve recorde de público no estádio Nélson Medrado Dias (15 mil pagantes), nas semifinais com o Coritiba. A diretoria armou arquibancadas tubulares no estádio, aumentando sua capacidade e dando espaço a uma grande festa. O time parnanguara sofreu duas goleadas, mas pôde colher em 2000 o título de campeão do interior que o credenciou à disputa e pôde participar do Módulo Verde e branco (3.ª Divisão) da Copa João Havelange, torneio nacional tampão que fez as vezes da brasileiro.

Brasileiro

A estréia do Rio Branco em brasileiros foi em 1996, com a equipe disputando a terceira divisão. Uma boa campanha, o time avançou à 3.ª fase e por pouco não chegou às finais. Foi um dos momentos mais emocionantes da história do clube.