O técnico Ricardinho convive com a árdua tarefa de “reinventar” o Paraná Clube nesta Série B do Brasileirão. Sem recursos para novos investimentos e convivendo com o declínio de produção de alguns jogadores, a comissão busca alternativas para recuperar a solidez tática da equipe, ainda sonhando com uma arrancada na competição. O treinador não esconde que a missão do Tricolor neste returno é inglória, mas promete lutar até o fim, enquanto as possibilidades matemáticas assim permitirem.

Hoje, o Paraná está mais para a ZR do que para a área de acesso. Ricardinho, porém, nem cogita a possibilidade de seu time passar a se preocupar com o retrovisor. “Ficou complicado subir neste ano, pois tem muita gente na briga. Alguns, com recursos que permitem uma guinada. Mas, nosso grupo já mostrou força antes e temos que recuperar aquele espírito”, disse o treinador. Mesmo vendo em campo um time aguerrido diante do América, o empate sem gols não o satisfez. “Não me contento com pouco. Temos que vencer, imediatamente”, cravou Ricardinho.

O ídolo, porém, sabe o quão complicada é essa tarefa. Ainda mais para um time que perdeu a “intimidade” com o gol. Em muitos momentos desta Série B, o Paraná mostrou essa carência. O time, salvo algumas exceções, nunca conseguiu traduzir seu volume de jogo em bola na rede. Agora, diante da queda técnica de algumas peças, a situação se agravou. “Antes, a gente se preocupava com o desempenho do time nos jogos fora. Agora, o que determinou esse nosso distanciamento das primeiras colocações foi justamente os deslizes em casa”, admite Ricardinho, usando como base as recentes derrotas para Atlético e Goiás, na Vila Capanema.

O primeiro passo do treinador, na tentativa de reagrupar o time, foi uma drástica alteração tática. Mesmo sendo avesso ao 3-5-2, Ricardinho fez uma adaptação neste sentido, utilizando Vandinho como líbero. “Melhoramos a nossa saída de bola e, quando estamos sendo atacados, o Vandinho faz a sobra. Isso deu maior consistência ao time. Mas só isso não basta”, apressa-se em afirmar o treinador. “Temos que fazer gols. Essa é a essência do futebol”. Nos seis últimos jogos – período no qual o Paraná não venceu nenhum -,o time fez apenas três gols.

Ricardinho segue apostando em Marquinhos e Wellington Silva. “Para mudar, quem entra tem que dar uma resposta. E isso não está acontecendo”, disse o treinador, alfinetando jogadores como Luisinho, Arthur, Wendel e Geraldo, que já foram titulares e hoje têm até suas posições no banco de reservas ameaçadas. “Estamos reestruturando o departamento de futebol como um todo. Não adianta apenas subir por subir. Mas, é claro que vamos seguir trabalhando com esse objetivo. Temos muitos pontos em disputa”, arrematou o comandante paranista.

Caixa vazio breca contratações

A diretoria evita falar sobre reforços, mas segue na busca por um atacante. Restam apenas duas semanas para o encerramento de novas inscrições e o Paraná Clube esbarra nas já conhecidas limitações financeiras. Nomes como os de Denis Marques e Pedrão foram especulados e imediatamente descartados. Agora, comenta-se que Thiago Potiguar, do Paysandu, seria a “bola da vez”. O clube paraense, porém, não estaria disposto a liberar o atleta por empréstimo.

“Fizemos uma sondagem, mas não há uma negociação em andamento”, disse o superintendente do Paraná, Celso Bittencourt. Thiago Potiguar, que está no Papão desde 2010, marcou três gols, até aqui, na Série C do Brasileirão. Ricardinho, intimamente, gostaria de receber uma nova opção ofensiva. Porém, deixa claro que qualquer negociação teria que ocorrer dentro dos padrões do clube, e sem comprometer o orçamento, já enxuto.

“O clube não pode incorrer nos mesmos erros de outros anos. A proposta da diretoria sempre foi um trabalho de reestruturação”, avisa Ricardinho. O desejo do técnico é ver o clube reestruturado e sólido, como nos anos 90. “O Paraná precisa mirar o acesso, mas chegando de forma equilibrada, para ficar”, concluiu.