Amanhã à tarde, em uma reunião na sede da Fomento Paraná, a Price Waterhouse dará seu veredicto sobre o orçamento final das obras da Arena da Baixada. O valor protocolado pelo Atlético e verificado pela empresa de auditoria é de R$ 330 milhões e, se a conta final for aprovada, o aumento do custo atingirá a marca de 144% em relação ao valor inicial de R$ 135 milhões aprovada em 2011. Porém, no final de 2012, quando o acordo tripartite foi firmado entre CAP S/A, Prefeitura de Curitiba e Governo do Estado, o valor das obras já estava em R$ 184,6 milhões e, apesar do desejo do presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia, em dividir o valor final da obra por três, as responsabilidades dos poderes estadual e municipal estão fixadas no valor firmado no convênio tripartite.

“O acordo foi assinado antes de eu assumir a prefeitura. Na ocasião, o valor das obras estava em R$ 184,6 milhões e é esse o orçamento que será dividido por três. O acordo tripartite é para este valor. Temos que deixar claro que não foi aprovada a lei para que a divisão por três fosse para qualquer quantia, se não isso não teria fim. Não vou mandar para a Câmara Municipal um novo projeto de lei para que haja uma nova emissão de potencial construtivo para as obras. A Prefeitura está cumprindo a sua parte no acordo”, explicou o prefeito Gustavo Fruet.

Para que o convênio tripartite fosse firmado, o Atlético exigiu, em dezembro de 2012, quando estava terminando o mandato do então prefeito Luciano Ducci, o aumento no valor dos títulos de potencial construtivo. Assim, a votação na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) confirmou o desejo do clube e o valor do potencial construtivo emitidos para o custo das obras foi de R$ 123 milhões e esta foi a parcela destinada dos poderes municipal e estadual como garantias ao contrato de financiamento realizado junto ao BNDES no valor de R$ 131,1 milhões. Já o Atlético deu o CT do Caju como aporte para receber o montante da instituição financeira.

No último contrato de empréstimo firmado entre a CAP S/A e a Fomento Paraná, no final do ano passado, no valor de R$ 65 milhões, R$ 20 milhões referentes a correção do valor do potencial construtivo foi dado pela Prefeitura de Curitiba como garantia. O restante foi calçado pelo Atlético, que deu como garantia o valor referente a reavaliação do CT do Caju e os recebíveis pelo direito de transmissão de televisão até 2018.

Para receber os R$ 65 milhões, de uma nova linha de crédito do BNDES solicitada pela Fomento Paraná, o clube ainda não definiu quais as garantias serão dadas. Como o processo de aprovação do financiamento no BNDES é demorado, o Governo do Estado decidiu adiantar um valor para que o clube conclua o estádio. Porém, o governador Beto Richa garante que o valor será reembolsado aos cofres públicos.

“Não é uma doação de dinheiro público, é um empréstimo mediante garantias dadas pelo clube. A Agência de Fomento do Estado, que é uma repassadora de recursos do BNDES é uma instituição financeira que empresta recursos para empresas. O clube tem essa possibilidade legal de contrair estes empréstimos, mediante as garantias apresentadas. Podemos ficar tranquilos que este dinheiro será reembolsado”, garantiu Richa.

Briga pra saber o “pai da criança”

Se antes a briga era para apontar o culpado pelos problemas e atrasos que a Arena da Baixada passava, depois da confirmação da Fifa que o estádio será uma das 12 sedes da Copa do Mundo, a disputa foi para ver quem colhia os frutos da permanência de Curitiba no Mundial. Começando pela própria Fifa.

Segundo o secretário-geral da Fifa, Jeróme Valcke, se não fosse a pressão e a chacoalhada da entidade em cima dos dirigentes curitibanos, as obras seguiriam em ritmo lento. “Nós e,stávamos muito insatisfeitos com o andamento do estádio. A obra agora andou muito, mas só porque nós pressionamos e colocamos nossa equipe no local. Uma equipe da Fifa e uma equipe do COL (Comitê Organizador Local) estão lá, e vão continuar lá, supervisionando toda a obra. Toda a gestão da construção será monitorada por nós. Estou exercendo pressão. Recebemos apoio enorme do governo federal. Acho que, graças a isso, Curitiba ainda é cidade-sede. Sem o governo federal, não sei se haveria uma solução”, afirmou ele, em Florianópolis.

Inclusive a prefeitura de Curitiba e o governo do Paraná, que poucas vezes se manifestaram publicamente em relação ao estádio, apareceram ontem. Antes mesmo do anúncio oficial, o prefeito Gustavo Fruet convocou uma coletiva para falar sobre a Copa do Mundo. O governador Beto Richa se manifestou no Twitter e gravou um pronunciamento divulgado para a imprensa, onde também ressaltou a confirmação de Curitiba como uma das 12 sedes.

Por sua vez, Mário Celso Petraglia também reforçou a importância do Atlético nesta manutenção de Curitiba, afirmando que foi o clube quem iniciou sozinho a engenharia de construção do estádio. No site oficial, o Furacão retrucou quem torceu contra a Arena. “Ao contrário dos pessimistas e agourentos de plantão, que torceram contra a realização do maior evento do mundo em nossa cidade, o Clube Atlético Paranaense sempre acreditou e trabalhou incansavelmente para que isso acontecesse”, diz a nota.

O Ministério do Esporte também ressaltou responsabilidade. O secretário executivo Luís Fernandes lembrou que a evolução das obras apresentadas entre dezembro e janeiro não foram positivas e que foi preciso criar um conjunto de medidas para se ter a garantia de que tudo ficará pronto a tempo. “A evolução registrada de dezembro para janeiro não nos permitia confirmar a cidade de Curitiba como sede da Copa do Mundo. O estádio não ficaria pronto a tempo. Isso nos levou a colocar em questão a cidade e nos levou a encaminhar, junto ao governo do Estado, prefeitura e Atlético, um conjunto de medidas a serem implementadas para garantir a conclusão do estádio em tempo e com a qualidade necessária”, declarou Fernandes.