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 ?O que não pode, é as ligas ficarem pagando taxa de registro de atletas, alvará…?, diz Favaro, da Liga de Pinhais.

Isenção de taxas, transporte de graça, ajuda de custo para manter sedes e equipes. Velhas promessas que podem definir novamente a eleição na Federação Paranaense de Futebol (FPF). Sobrevivendo com o caixa sempre no vermelho, clubes e ligas amadoras não escondem que darão seu voto ao candidato que apresentar os melhores mimos e vantagens.

Juntos, equipes amadoras da capital e ligas do interior representam cerca de 70% do colégio eleitoral que estará reunido no dia 18 de abril, para escolher o novo presidente da FPF. Sinal de que os ?agrados? aos pequenos serão mais decisivos do que projetos para as questões que mais interessam às equipes profissionais e seus torcedores, como a fórmula e a negociação dos direitos de transmissão do campeonato estadual, a dívida milionária da entidade, ou vinda da Copa do Mundo de 2014 para Curitiba.

O vale-tudo para conquistar o voto dos amadores está em pleno vapor. Unidas, parte das ligas estão negociando o apoio em bloco ao candidato que se comprometer com suas reivindicações. ?Queremos o que é melhor para o esporte amador. O que não pode é as ligas ficarem pagando taxa de registro de atletas, alvará, etc. Não há recursos no futebol amador para isso e não podemos continuar tirando dinheiro do nosso bolso?, diz Laury Gentil Favaro, presidente da Liga de Futebol de Pinhais.

Favaro diz que a liga administrada por ele desde 1995 é um exemplo do que acontece no futebol amador do Estado. ?Temos hoje uma dívida de R$ 65 mil. Nossa sede, que foi construída por mim, está com os vidros todos quebrados, porque não há dinheiro para repor. Sobrevivemos com a ajuda de alguns abnegados, que quando podem contribuem com pequenos valores?, afirma.

Em estado de penúria, as ligas dão seu voto a quem oferece a elas itens básicos como ônibus e bolas ou descontos e isenção de taxas. Situação que foi explorada com maestria por Onaireves Moura, que presidiu a FPF por 22 anos até ser suspenso, no ano passado, por corrupção e desvio de recursos. ?O Moura sabia quem podia e quem não podia pagar. Ele isentava de taxas e ajudava os que estavam em dificuldade. Nunca deixou um clube fora de uma competição por falta de pagamentos. Por isso foi um bom dirigente para o futebol amador e se manteve por tanto tempo?, elogia o presidente da Liga de Pinhais.

Em março deste ano, o atual presidente da FPF, Hélio Cury, que é candidato à reeleição, isentou as ligas de alvará de funcionamento, diminuiu a taxa para os clubes e reduziu o custo da inscrição de atletas. Medidas insuficientes na opinião de Laury Favaro. ?São custos que ainda pesam muito. Nossa reivindicação é não pagar essas taxas?, ressalta.

Favaro e os representantes de mais 11 ligas da Região Metropolitana de Curitiba e do litoral já decidiram seus votos. Optaram pelo atual secretário-chefe da Casa Civil do governo do Estado, Rafael Iatauro, que disputa com Cury a presidência da FPF e teria se comprometido a acabar com a cobrança de taxas para os amadores. ?Ele apresentou as melhores propostas para o futebol amador. Não há qualquer tipo de pressão. Se aparecer algo melhor, podemos até mudar de idéia?, conclui.