O protesto feito por torcedores do Bahia, que arremessaram caxirolas no gramado da Arena Fonte Nova durante o clássico com o Vitória, no domingo, em Salvador, pode resultar em punição ao clube. O fato foi registrado na súmula do jogo pelo árbitro Jailson Macedo Freitas e está sendo analisado pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) – existe o risco de perder mando de campo em algumas partidas.

A Federação Baiana de Futebol não se pronunciou sobre o ocorrido, afirmando apenas que caberá ao TJD decidir sobre uma eventual punição. Já a Polícia Militar estuda a possibilidade de aplicar punições contra a torcida do Bahia, com base no Estatuto do Torcedor e no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre as organizadas baianas, a corporação e o Ministério Público. Em nota, a PM diz que “não deixará passar em branco atitudes reprováveis cometidas por torcidas dentro dos estádios”.

Um dos símbolos oficiais do Mundial que acontecerá no Brasil, a caxirola é o instrumento musical criado pelo músico baiano Carlinhos Brown para ser o sucessor da sul-africana vuvuzela, que ficou famosa na Copa de 2010. Distribuídos na entrada da Arena Fonte Nova aos cerca de 30 mil torcedores que assistiram ao jogo de domingo, os artefatos, uma espécie de chocalho para colocar na palma da mão, viraram arma de protesto da torcida do Bahia, que os atirou no gramado pouco antes do intervalo, quando seu time perdia por 2 a 0 – no fim, o clássico terminou 2 a 1 para o Vitória.

A informação sobre o protesto da torcida em Salvador chegou ainda na noite de domingo ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que participa do 12º Fórum de Comandatuba, um dos principais encontros empresariais do Brasil, em Una, no litoral sul da Bahia. Ao ser informado sobre o ocorrido com o instrumento, que recebeu as chancelas do ministério e da Fifa para ser produto oficial da Copa, ele ficou sem reação. Depois de alguns segundos pensativo, limitou-se a dizer: “Não é boa notícia”.