Lopes sempre faz reuniões para passar
o que aconteceu de bom e de ruim.

Até poderia ser chamada de “escolinha do delegado”. Mas ontem o técnico Antônio Lopes resolveu mostrar aos jogadores do Coritiba o que houve de errado no jogo-treino contra o Rio Branco e que precisa ser corrigido até a estréia no campeonato paranaense, na próxima quinta, contra o Iraty. Em tom professoral, o treinador alviverde explicou as principais falhas da equipe, apoiado em farto “material didático”.

Era o scout do jogo, preparado pelo auxiliar técnico Eudes Pedro – que assistiu à partida ao lado do técnico. “Eu mostrei os dados da partida, feitos pela nossa equipe. Ali era possível ver vários fatos do jogo, que eram importantes para os atletas”, conta Lopes, que confessa usar essa conversa constantemente. “Sempre que jogamos, eu faço essa reunião com eles, passando o que aconteceu de bom e de ruim.”

Os jogadores tiveram a chance, inclusive, de ?palpitar?. “Ele pediu a opinião de cada um de nós”, diz o goleiro Fernando. O processo democrático também chega aos membros da comissão técnica e até do coordenador técnico Sérgio Ramirez. “Pedi ao Ramirez que também falasse, mas o tom foi ditado por mim, pelo Eudes e pelo Miguel (Ferreira, auxiliar). Eu peço a posição de todos, é importante sentir o que eles acharam”, explica o treinador.

O lado positivo foi o ajuste do ousado sistema de trocas de posições implantado desde o início da temporada. “Acho que as coisas estão andando muito mais rápido do que o esperado. O time está evoluindo bastante”, comenta o treinador. “É bem interessante, porque sempre abre alguma opção para a gente passar”, completa o volante Roberto Brum.

Mas, até pelo fato de o time estar se acostumando ao esquema, apareceram os problemas. “O time ainda está preso por causa do preparo físico. São trabalhos fortes, necessários para a nossa temporada, e nesse momento eles acabam afetando o time”, justifica Lopes. “A gente está começando, e por isso acaba errando. E não dá para esquecer que muita gente estava fazendo o primeiro treino forte com os novos companheiros”, lembra Luís Carlos Capixaba.

Com a dificuldade, o sistema tático chegou a empacar em certos momentos. “É natural. Quando você não acerta a parte técnica, e nós falhamos em alguns fundamentos, a parte tática acaba sendo prejudicada. E quando as duas coisas não vão bem, o atleta corre mais que o necessário. E aí cansa mais rápido, não raciocina e acaba se desgastando”, teoriza o professor Lopes.

Mas, apesar das constatações, o treinador coxa confia que o time vai se acertar com o decorrer do paranaense, até o início da Libertadores (dia 10, em Lima, contra o Sporting Cristal). “Nós vamos ter que usar os jogos que vêm pela frente para melhorar nosso rendimento”, garante Antônio Lopes, que pretende usar todos os titulares já contra o Iraty – e Aristizábal, no clássico contra o Paraná. “Quanto mais cedo todo mundo estiver a postos, melhor”, finaliza.

Meia alviverde sai da sombra para o estrelato

Na semana passada, o Coritiba apresentou um “pacote” de jogadores. Cada um deles tinha um motivo para atrair as atenções da mídia: Capixaba era experiente, Rodrigo Batata tentava seguir o caminho de Tcheco, Luís Mário era a estrela da companhia, e assim as coisas iam. Mas para Éder, que chegava do Francisco Beltrão, não havia muito a dizer – pelo menos àquele momento. Sete dias depois, o meia-esquerda é a sensação dos treinos e vai garantindo uma vaga no time titular.

A cada trabalho, Éder ganha espaço. No jogo-treino contra o Rio Branco, ele foi o destaque e teve a boa atuação coroada com um gol de falta – ajudado, é verdade, por um desvio na barreira. “Foi muito bom saber que a torcida já me conhecia, que gostava do meu futebol”, comenta o armador, que teve seu nome gritado pelos torcedores ao final do trabalho da tarde de quarta-feira.

Uma aparição relâmpago para quem chegara desconhecido. “Realmente, eu não era muito conhecido. Joguei um tempo no Avaí, tive poucas chances e poucos sabiam quem eu era, principalmente se comparado com os outros jogadores”, reconhece Éder, que foi apresentado no mesmo dia que o zagueiro uruguaio “Galego” Esmerode, que chegou para ser o “xerife” do Coxa.

Éder percebeu rapidamente que teria que conquistar seu espaço dentro de campo. “Eu comecei a lutar pela posição desde o início dos treinamentos. Estava consciente que precisaria batalhar muito até ser titular”, conta. Esforço recompensado com a posição garantida – e, da forma que o jogador evolui, com a possibilidade real de disputar a Libertadores. “São torneios importantes, o Coritiba é um grande clube e eu tenho que aproveitar isso”, admite.

Ainda mais para quem tem a consciência de que este é o momento mais importante de uma carreira que não tem hora marcada para o sucesso. “Eu sei que é a minha grande chance. Vou colocar tudo que tenho para permanecer no clube e poder marcar meu nome no Coritiba”, resume Éder.

Tranqüilo

O armador alviverde garante que não há pendências entre ele e o Avaí, que era dono de seu passe até o final do ano. “Eu estou livre. O que aconteceu foi que eu fui emprestado para o Metropolitano de Blumenau e eles não se acertaram financeiramente. Mas isso não tem nada a ver comigo”, garante.

Treino

– No trabalho tático da tarde de ontem, Antônio Lopes praticamente definiu o time que realiza o jogo-treino de amanhã, às 17h, contra o Araucária, no Couto Pereira. A formação terá Fernando; Danilo, Juninho e Nivaldo; Tesser, Roberto Brum, Luís Carlos Capixaba, Eder e Lira; Luís Mário e André Nunes.

Desfalques

– Adriano, com dores na coxa esquerda, será poupado para que reúna condições de enfrentar o Iraty. Josafá, depois que se recuperar das bolhas nos pés, passará por um período de preparação física. Esmerode segue recuperando-se de uma contratura muscular e Reginaldo Araújo e Reginaldo Nascimento saem do time por opção do treinador.

Liberado – Chegou-se a pensar em realizar o jogo-treino contra o Araucária com portões fechados, mas a diretoria resolveu manter o acesso aos torcedores com a entrega de um quilo de alimento não perecível, que será doado ao projeto Fome Zero.

Teste

– O lateral-direito Jucemar, de 23 anos, que passou pelo Criciúma, passa por um período de avaliação no CT da Graciosa.