Marcel e Edu Sales,
no aquecimento coxa ontem.

Estava tudo muito bem. Ontem, o técnico Paulo Bonamigo ganhou dois problemas para a partida de domingo contra o Flamengo. Como vem sendo costume nos últimos jogos, a complicação acontece na defesa, que está sem seu líder Edinho Baiano há um mês.

Agora, é o substituto dele, o jovem Juninho, que preocupa o treinador do Coritiba. Pior: mais que o zagueiro, o lateral Ceará sofre com um problema que virou ?epidemia? no futebol brasileiro.

Ceará já vinha reclamando de dores pubianas, e foi constatada agora uma pubalgia – quer dizer, uma inflamação no púbis. Segundo o médico William Yousef, esse problema não vem de hoje. “Os jogadores que não têm uma preparação física adequada sofrem com isso, mesmo que seja no início da carreira”, explica. Prejudica ainda mais para o lateral o fato de que ele não realizou a pré-temporada: enquanto os jogadores treinavam, Ceará corria para conseguir a liberação junto ao Santos.

Jogando seguidamente, Ceará foi complicando sua lesão, até que a inflamação se manifestou. “Nós temos que avaliar esse tipo de contusão com muito cuidado. Esse é o momento de sentirmos qual é a reação do atleta para o tratamento”, explica Yousef, que não descarta uma parada mais longa do jogador. “Se ele não mostrar evolução, teremos que tirá-lo por algum tempo”, avisa. No Cori, o exemplo visível é de Alexandre Fávaro, que ficou quase dois meses fora dos campos.

O caso de Juninho é mais leve. “Ele sofreu na semana passada uma contusão no músculo adutor da coxa direita, mas com o tratamento ele pôde jogar a final. Até por isso preferimos mantê-lo fora dos treinos por um período”, diz o médico, que quer avaliar os dois jogadores no trabalho desta tarde.

Mesmo assim, Bonamigo já está se precavendo. Ontem, ele realizou um minicoletivo usando Tesser na lateral e Danilo na defesa. “Eu estou esperando a recuperação dos jogadores, mas preciso estar preparado para as ausências”, conta o treinador. Além deles, a novidade do treino foi Pepo, que ganhou a posição de Lima. “Nós temos que ter um time compacto no Rio”, resume Bonamigo.

Hoje

É grande a possibilidade de o Coritiba apresentar mais reforços esta tarde. A diretoria segue negociando com Jackson, do Ituano, e Paraguaio, do Londrina, mas ontem as negociações não evoluíram a contento. O adiamento do campeonato brasileiro da série B pode facilitar a vida do Cori, que tenta também outros dois jogadores, provavelmente oriundos do interior paulista.

Coxa projeta ficar entre os 8

O Coritiba não quer dar mais sopa para o azar. As últimas edições do campeonato brasileiro tiveram momentos de euforia, mas sempre acabaram em decepção. As tristezas de 98 (quando foi eliminado pela Portuguesa) e do ano passado (perdendo jogos incríveis para Figueirense e Gama) foram absorvidas e compreendidas, e o campeão paranaense estréia no domingo com ambições reais. A intenção é estar entre os melhores para conseguir uma vaga nos torneios sul-americanos.

Isso quase aconteceu no ano passado, mas a chance de emplacar na Copa Sul-Americana parou nos gols de Dimba, em Brasília. Aquela decepção foi atribuída em parte ao noviciado de parte do elenco, que ainda assim tinha jogadores experientes, como Pícoli, Da Silva e Lúcio Flávio. Agora o grupo é mais jovem, mas tem um título nas costas. “Essa conquista é muito importante para amadurecer essa garotada. O reflexo do título paranaense vai ser visto nas próximas competições”, acredita o técnico Paulo Bonamigo.

Ele, por sinal, é a mola-mestra da engrenagem alviverde. O treinador, com quase um ano de clube, montou um elenco obediente taticamente e sem pontos de atrito. Esses dois fatores foram fundamentais na conquista do último domingo, colocando Bonamigo de vez na vitrine do futebol brasileiro. Apesar disso, o técnico já assegurou que continua no Alto da Glória, para alegria de dirigentes, jogadores e torcedores.

Só que, para o brasileiro, é preciso mais. E o próprio Bonamigo já avisou à diretoria que são necessários reforços. “Precisamos de um elenco coeso e forte, com opções de qualidade para utilizar se for necessário”, explica o treinador coxa. Por isso ele espera ao menos dois jogadores que venham para ser titulares – um armador (posição carente do time) e um atacante que dispute posição com Edu Sales. “Falei para o elenco que é o momento de aglutinar, e para isso será importante a chegada de novos valores”, resume Bonamigo.

Além disso, devem vir mais jogadores para completar o grupo – no caso, um lateral-direito, outro meia e mais um atacante. Todos, segundo o técnico, precisam estar com o desejo de ?arrebentar? no brasileiro – desejo íntimo do próprio treinador. “Não quero jogadores acomodados. Pretendo ver uma equipe mobilizada a todo instante”, avisa Bonamigo.

Coxa passa favoritismo para o rubro-negro

Passa ano, entra ano e a crítica especializada se arrisca da mesma forma. Às vésperas do início do campeonato brasileiro, comenta-se ardorosamente sobre possíveis favoritos ao título da competição mesmo sabendo que sempre vai se esquecer de alguma equipe, e que justamente essa vai acabar aparecendo. Mas quase todos (inclusive os torcedores) pensam nos mesmos candidatos: Cruzeiro, São Paulo e principalmente Corinthians e Santos, que vêm repetindo em 2003 o que fizeram no ano passado.

Claro que também nunca se deixa de falar da tradição dos chamados ?grandes? clubes. Nesse grupo entram Vasco, Fluminense, Atlético-MG, Grêmio e Internacional. E, óbvio, também entra o Flamengo, time para qual a palavra ?tradição? serve quase como sobrenome. Por isso, muitos que olham para a tabela do Brasileirão e vêem, na primeira rodada, o confronto entre Flamengo e Coritiba, já saem dizendo que o Mengo é favorito, apesar de viver uma imensa crise, ao passo que o Cori vem em alta, após conquistar o título paranaense.

E é justamente isso que o técnico Paulo Bonamigo queria. Depois de lutar por três meses contra um incômodo favoritismo no campeonato estadual, o Coritiba entra agora como ?coadjuvante?, podendo se preocupar apenas com o campo enquanto o adversário de domingo (16h, no Maracanã) precisa equilibrar as pressões do tal favoritismo, da crise e da série de derrotas, já que perdeu quarta para o Ceará pela Copa do Brasil.

Para os jogadores do Cori, é bom poder ficar um pouco à margem das notícias. “Ano passado foi assim. Quando perceberam, estávamos na liderança do campeonato”, relembra o meia Tcheco, que acredita que o Brasileirão não tem favoritos agora. “Isso só vai aparecer depois de umas dez rodadas. Mas se deixarem a gente chegar de mansinho, melhor. A pressão fica para outros times”, comenta.

Esse é o detalhe fundamental de quem não é favorito pelo menos em um primeiro momento, a equipe passa despercebida diante das outras. “Podemos comer pelas beiradas nesse início do campeonato”, reconhece o capitão Reginaldo Nascimento. E, para Bonamigo, um bom início é fundamental. “Nesse tipo de competição, você não pode deixar de pontuar. Cada partida realmente é decisiva”, avisa o técnico.

Para ajudar, Bonamigo conta com o amadurecimento do grupo. “O elenco está consciente do que pode fazer, e principalmente de como precisa fazer para manter o nível das atuações”, comenta o treinador. Para ele, só uma equipe extremamente mobilizada pode fazer campanha no brasileiro – e foi justamente assim que o Cori conquistou o título paranaense. “O Coritiba, motivado e aplicado, é um adversário difícil para qualquer equipe”, aposta.

Flamengo tenta apagar a má impressão

Depois do fracasso no campeonato carioca, o Flamengo tenta apagar a má impressão deixada nas duas últimas edições do campeonato brasileiro. Em 2001, o clube se livrou do rebaixamento apenas na última rodada da competição. No ano passado, novo vexame e a ameaça da Segunda Divisão foi afastada faltando um jogo para o término da disputa.

Além do treinador Nelsinho Baptista, o lateral-esquerdo Athirson e o meia Felipe são os responsáveis dentro das quatro linhas por comandar o time.

Para vencer o brasileiro, a equipe apresentará, ao menos, uma novidade: o volante Fabinho, ex-Ponte Preta. A base que disputou o carioca não será desfeita.