Nas conversas com o elenco, Bonamigo
tenta tranqüilizar os jogadores.

Desde que o campeonato brasileiro parou para ver a seleção jogar (e lá se vão duas semanas), o técnico Paulo Bonamigo fala em amenizar a pressão do elenco, tentando evitar que os jogadores sintam a responsabilidade que carregam.

Mas os resultados ruins do Coritiba fazem acontecer justamente o contrário – agora, por mais que queira manter a tranqüilidade do elenco, o treinador alviverde reconhece que o time precisa de duas vitórias no Nordeste para se aproximar da vaga na Copa Libertadores.

Isso porque o Cori não conseguiu segurar o ‘pacto’ de conquistar o maior número de pontos possível jogando no Couto Pereira. Já foram perdidos sete (empates com Atlético-MG e Ponte Preta e derrota para o Santos), e isso obriga a equipe a – mais uma vez – ter que buscar longe de casa a recuperação. E desta vez é longe mesmo, tanto que a diretoria decidiu manter o grupo no Nordeste depois do jogo de domingo (17h), contra o Vitória, voltando apenas depois de enfrentar o Fortaleza.

Tendo mais uma semana de ‘isolamento’ garantida, Bonamigo quer agora isolar o grupo das críticas. “Quanto mais eu falar sobre pressão vai ser pior. Meu trabalho agora é aliviar essa carga de responsabilidade, tentar passar o máximo de tranqüilidade para os atletas”, comenta o treinador. Para isso, ele evita até mesmo responder aos críticos. “Se eu não falo quando sou elogiado, porque vou comentar agora?”, questiona.

Só que o técnico alviverde sabe da importância dos jogos que vem pela frente. “Se quisermos depender apenas da gente, temos que ganhar do Vitória e do Fortaleza. Aí poderemos chegar aqui na última rodada com calma para enfrentar o Criciúma”, explica. Essa também é a única forma do Coritiba manter até a última rodada a vantagem de depender apenas de si para levar uma das quatro vagas para a Libertadores.

E o exemplo que Bonamigo passa para o elenco é o do segundo tempo da partida contra a Ponte Preta. “Se jogarmos daquela forma, será mais fácil para conseguirmos chegar. Não podemos deixar de acreditar nas nossas qualidades”, adverte. “Se o time não vem bem agora, não podemos esquecer que fez uma campanha maravilhosa, à exceção das primeiras quatro rodadas”, completa.

Para ele, a pressão que existe é até natural. “Não podemos esquecer que o Coritiba é o futebol paranaense na briga pela Libertadores. E isso cria uma ansiedade, tanto nos jogadores quanto na torcida. E até mesmo da imprensa”, afirma. Bonamigo, entretanto, garante que está tranqüilo. “Eu não posso ficar pressionado ou ansioso. Eu tenho que passar calma para os jogadores, e isso é tão importante quanto qualquer coisa que eu fale para eles”, finaliza.

Voltas

Apesar do treino de ontem ter sido apenas regenerativo (corrida e piscina para os que jogaram contra a Ponte), dois possíveis titulares treinaram normalmente. Odvan e Maurinho, que cumpriram suspensão no sábado, devem voltar ao time. Reginaldo Nascimento (com cólicas abdominais) e Lira (com uma lesão no ligamento cruzado do joelho direito) não trabalharam, e este é o principal problema de Bonamigo. “Ele será reavaliado na sexta, mas não deve ser nada grave”, diz Lúcio Ernlund, chefe do departamento médico alviverde.

Time caiu nos últimos jogos

Para conseguir a vaga na Copa Libertadores, é certo que o Coritiba precisa melhorar. Afinal, nas últimas seis partidas o time conseguiu apenas quatro pontos de dezoito disputados. Mas, por incrível que possa parecer (ainda mais agora), a campanha da equipe ainda se mantém regular, com uma pequena queda no aproveitamento durante o segundo turno – só que essa queda pode ser fatal nessa reta decisiva do brasileiro.

Ao final do primeiro turno, o Coxa era o terceiro colocado, com 39 pontos. Mesmo perdendo oportunidades de melhorar a classificação (derrota para o Internacional e empates com Vasco, Fortaleza e Vitória, todos dentro do Couto Pereira), a campanha era muito boa. O aproveitamento era de 56,5%, e apenas Cruzeiro e Santos eram melhores. Em sessenta e nove pontos disputados, o Cori perdera trinta.

Com vinte rodadas no segundo turno, a equipe de Paulo Bonamigo já perdeu trinta pontos. Com isso, o rendimento alviverde é de 50%. Dividindo essa fase, vê-se que o aproveitamento foi muito superior ao do primeiro turno nas primeiras quatorze partidas (conquistou 26 pontos em 42 possíveis, com 61,9% de rendimento). Mas a péssima fase de seis jogos – a série paulista, que teve o Fluminense no meio -derrubou a percentagem para 22,2%. Para igualar as campanhas, o Coxa precisaria vencer as três partidas que restam.

Se mantiver o aproveitamento desse segundo turno, o Coritiba chegaria a 74 pontos, número que obrigaria a equipe a torcer por uma combinação de resultados envolvendo principalmente o Internacional. Este, por sinal, passou a ser o grande adversário alviverde, até porque tem dois jogos em casa (contra Flamengo e São Paulo). Os matemáticos seguem ?confiando?. O gaúcho Tristão Garcia dá ao Cori 66% de chances de chegar à Libertadores, contra 47% do Inter. Já o sítio Chance de Gol, administrado por estatísticos da USP, aumenta a probabilidade coxa para 69,6%, enquanto o Colorado fica com 34,5%.

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