O presidente do Sport, Luciano Bivar, pode ser punido por ter dito que contratou um lobista para colocar o volante Leomar na seleção brasileira em 2001. Ele corre risco de ser multado ou até suspenso por conta das declarações. O inquérito já foi enviado ao procurador-geral do STJD, Paulo Schmidt, que decidirá se denuncia ou não o dirigente pernambucano.

Bivar está sujeito a pena de 6 meses a 1 ano de suspensão, além de multa de R$ 100 a R$ 100 mil. O técnico Emerson Leão, que comandava a seleção em 2001, o então coordenador Antonio Lopes e o jogador foram inocentados nas investigações.

O dirigente ficou encrencado quando deu entrevista a uma emissora de rádio de Pernambuco dizendo que recorreu a um lobista para trabalhar pela convocação de Leomar, na época jogador de seu clube. Disse que seu objetivo era valorizar o volante para negociá-lo depois por um valor vantajoso. Logo depois, percebendo a repercussão das declarações, afirmou não se lembrar do nome do intermediário que contratou e também que não sabia se ele tivera influência na convocação de Leomar. Mas a confusão já estava armada.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva, então, decidiu agir e o presidente do órgão, Flavio Zveiter, determinou abertura de inquérito. Auditor do caso, Miguel Cançado ouviu Bivar, Leão, Lopes e Leomar (por último, na sexta-feira) e concluiu que o jogador foi convocado por “critérios técnicos”.

Mas optou por pedir a punição de Bivar com base no artigo 235 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por “atestar ou certificar falsamente, em razão da função, fato ou circunstância que habilite atleta a obter registro, condição de jogo, inscrição, transferência ou qualquer vantagem indevida”.

Cançado justificou sua decisão. “Não entendi que houve irregularidade. Após ouvir os depoimentos ficou provado que Leomar foi convocado por critérios técnicos”, disse o auditor. “Na época, só foram relacionados jogadores que atuavam no futebol brasileiro”. Ele decidiu pedir a “instauração de procedimento disciplinar” contra Bivar em função das entrevistas dadas pelo cartola. “O que ele fez foi grave”.

Agora caberá a Schmidt, como procurador-geral do STJD, pronunciar-se sobre o pedido do auditor. Se optar pela denúncia, Bivar irá a julgamento no plenário do órgão. O presidente do Sport foi procurado, mas passou o dia em reuniões e não deu entrevista.