Allan Costa Pinto
Dono de quatro times no Paraná, Aurélio Almeida projeta sanear dívidas a curto prazo, e sonha em subir pra Série C do Brasileiro em 2008.

Os planos grandiosos de Aurélio Almeida parecem não ter limites. Depois de anunciar a compra do mexicano Puebla, o controvertido presidente do Real Brasil promete iniciar já em 2008 a construção de um novo estádio na capital. ?Estádio não: uma arena para 40 mil espectadores?, corrige Aurélio. A arena seria erguida num terreno que o empresário diz já ter comprado em Santa Felicidade.

Segundo o cartola, o custo total da obra é U$ 20 milhões (R$ 40 milhões). ?Nem é muito?, garante. Ele conta que na primeira etapa a cancha terá capacidade para 10 mil pessoas. Depois, ?com a venda de jogadores?, aos poucos sairá a conclusão do estádio, que, ao final, seria maior do que o projeto original da Kyocera Arena, do Atlético Paranaense.

Diante da incredulidade generalizada, Aurélio revela que consegue receitas extraordinárias vendendo jogadores para o México, centro secundário do futebol mundial. Ele diz ter trânsito em todos os clubes da elite mexicana, e que fatura altos valores nas transferências internas entre as equipes do país. Destes lucros saíram os R$ 23 milhões que ele diz ter pago por 90% da ações do Puebla, clube da 1.ª Divisão do país, com o qual mantém antiga parceria.

A notícia da venda do Puebla a empresários brasileiros realmente surgiu no México, mas o nome de Aurélio jamais foi citado pela imprensa daquele país – houve até certa confusão com o Atlético Paranaense, logo desfeita. Ao saber dos boatos, o presidente e dono do Puebla, Francisco Bernat, assegurou que o clube não está à venda, não recebeu propostas oficiais e não busca um comprador. Depois disso, o assunto ?morreu? na mídia mexicana.

Aurélio contesta ainda que o Real seja um time ?cigano?, conforme retratou matéria da Tribuna publicada na última segunda-feira. Ele alega que o Grêmio Maringá, o Império Toledo, o Império do Futebol e o Real Brasil – equipes que já presidiu – têm personalidades jurídicas diferentes. Mas não negou que, desde 2002, os clubes comandados por ele passaram por Maringá, Toledo, Ponta Grossa, São José dos Pinhais, Vila Olímpica do Boqueirão e Pinheirão. Hoje, o Real manda partidas da Copa Paraná em Foz do Iguaçu. Para o ano que vem, ainda não há local definido para os jogos da elite do Estadual. ?Procuramos um lugar na região metropolitana. Mas isso enquanto não construímos nosso estádio. Queremos criar uma identidade como um time de Curitiba e então representar a cidade mundo afora. Hoje, só se conhecem equipes ?paranaenses?, e não ?curitibanas?. E nossa idéia é fazer do Real Brasil um dos grandes clubes do futebol mundial?, anuncia solene e seriamente.