O ciclista espanhol Alberto Contador deve ser considerado uma “fraude” agora que ele foi considerado culpado em caso de doping e perdeu o título da Volta da França de 2010, disse nesta terça-feira o presidente da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). “Qualquer um que for condenado por um tribunal em um assunto em que é acusado de trapacear é uma fraude”, disse John Fahey.

“O simples fato de alguém ter uma substância proibida em seu corpo é uma fraude. É simples assim. O único argumento em seguida é sobre qual era a natureza e como a substância proibida entrou no corpo do atleta. Mas você é uma fraude, efetivamente, no momento em que você tem essa substância lá dentro”.

A Corte Arbitral do Esporte (CAS) considerou na segunda-feira Contador culpado pelo resultado positivo em exame antidoping realizado em 2010, vencido por ele. Assim, rejeitou o argumento do espanhol, que culpou o consumo de uma carne contaminada pela resultado positivo para a substância proibida clembuterol.

Os julgadores da CAS disseram que o resultado pode ter vindo de um suplemento alimentar contaminado. Eles avaliaram que o cenário parece mais provável do que a defesa de que Contador teria consumido uma carne contaminada, ou, como a Wada argumentou, tenha feito uma transfusão de sangue.

“Todo dia uma fraude é pega, este é um bom dia para o esporte”, disse Fahey sobre a

decisão. “Os resultados são claros. Eles não tiveram nenhuma dúvida com uma decisão unânime que uma substância proibida estava em seu corpo e eles não aceitaram, e eu ressalto isto, eles não aceitaram que essa substância entrou em seu corpo através de carne contaminada”.

O veredicto da CAS foi dado 566 dias após a vitória de Contador na Volta da França de 2010, sendo inúmeras vezes retardado. “É lamentável que tenha demorado tanto tempo, mas é difícil dizer que isto poderia ter acontecido com mais velocidade”, disse Fahey.

Apesar da suspensão por doping de dois anos de Contador, uma das maiores estrelas do ciclismo desde a aposentadoria de Lance Armstrong, Fahey defendeu que o esporte agora está mais limpo do que nunca. O ciclismo criou um programa de passaporte sanguíneo para descobrir novos casos de doping. “Existe agora um programa muito mais abrangente no ciclismo do que já houve antes”, disse Fahey.