A candidatura do xeque Salman bin Ibrahim Al Khalifa, do Bahrein, voltou a ser atacada nesta segunda-feira. Desta vez, as críticas vêm do futebol inglês, berço do esporte. Numa tentativa de minar o favoritismo do xeque na futura eleição da Fifa, o presidente da Associação de Futebol da Inglaterra (FA, na sigla em inglês), Greg Dyke, questionou a falta de tradição do Bahrein no futebol.

“Podemos ter alguém do Bahrein governando o futebol mundial? No comando do futebol, dada o que aconteceu lá há quatro anos? Eu pessoalmente tenho minhas dúvidas”, declarou Dyke, em entrevista à BBC, numa referência também ao polêmico episódio ocorrido com os jogadores da seleção do Bahrein, durante a chamada Primavera Árabe.

Alguns deles participaram das manifestações, pró-democracia, e alegaram que foram torturados por forças do governo quando estiveram detidos. Naquela época, o xeque era presidente da Associação de Futebol do Bahrein. Além disso, ele é membro da família real que governa o pequeno país. No entanto, o xeque sempre se defende afirmando que as lideranças esportivas não podem se envolver com questões governamentais.

A postura, supostamente passiva do xeque, diante do episódio gerou críticas a sua candidatura por parte de lideranças ligadas aos direitos humanos. Às vésperas das eleições da Fifa, marcada para o dia 26, os rivais de Salman na disputa aproveitam o episódio para atacá-lo.

Na declaração mais forte até agora sobre o assunto, o príncipe jordaniano Ali bin al Hussein rejeitou a defesa do xeque bareinita, de que problemas de segurança nacional estão além do controle de dirigentes esportivos.

“Como você vai ganhar o respeito de todo o mundo e dos jogadores de todo o mundo, bem como das FAs (as Associações de Futebol), se você não pode nem mesmo cuidar do seu próprio país?”, questionou o príncipe Ali, que é um dos principais rivais do xeque no pleito da Fifa.